Evasão escolar e a realidade brasileira
Enviada em 10/11/2022
O sociólogo Pierre Bourdieu, em sua reflexão sobre a educação, afirma que a escola funciona como um instrumento de perpetuação das estruturas sociais previamente moldadas e de transferência de capitais de uma geração para a outra. Nesse viés, este pensamento corrobora com as ideias acerca do abandono escolar no contexto brasileiro ser intrinsecamente de viés econômico. Neste contexto, pode-se citar duas problemáticas acerca do tema: a gravidez precoce, bem como a necessidade de prover sustento à família por parte dos jovens.
Nessa conjuntura, é possível afirmar, que devido a uma falta de perspectiva de vida por parte de jovens de classes menos abastadas, ocorre o fenômeno da gravidez na adolescência. Esta fala pode ser ratificada pelo dado do Relatório do Fundo de População das Nações Unidas, em que a gestação precoce representa a maioria das gestações em países em desenvolvimento, incluindo o Brasil, onde a taxa é de 57%. Assim, meninas muito jovens tornam-se mães e acabam deixando os estudos, o que é extremamente prejudicial, já que depois, elas ocuparão cargos precários devido à falta da especialização exigida pelo mercado de trabalho.
Em uma segunda análise, pode-se dizer, que a educação no Brasil serve apenas, como disse Bourdieu, para sustentar a atual configuração da sociedade, não promover mudança. Logo, o jovem periférico que precisa se preocupar em contribuir com as despesas de sua casa, não se vê contemplado pela grade curricular do ensino médio, ou pelos vestibulares, não tendo incentivo em seguir buscando o conhecimento. Tal fato pode exemplificado pela fala da socióloga Olívia Assis: “A educação no Brasil sempre foi elitista, nunca foi para pobre e nem para os pretos. […].” Sendo assim, o adolescente geralmente, opta por abandonar os estudos, devido à incapacidade do estado de protegê-lo da realidade que o cerca.
Portanto, é salutar que o Estado, por meio do Ministério da Educação, amplie o investimento nas escolas, local de formação do pensamento crítico do cidadão, de modo que sejam criadas mais instituições em período integral e de ensino técnico, com o fito de devolver a perspectiva de vida aos jovens de periferia e prepará-los melhor para o mercado de trabalho. Dessa forma, o Brasil deixará de ter uma educação que privilegia poucos e minimizará o problema da evasão escolar.