Evasão escolar e a realidade brasileira
Enviada em 01/03/2023
A evasão escolar, fenômeno caracterizado pela saída precoce de jovens da sua trajetória educacional, é um problema no Brasil. Segundo o IBGE, em 2014, 19% dos jovens estudantes evadiram as escolas pelas razões mais variadas, com destaque à motivação financeira. Por isso, é fundamental a criação de mecanismos que desmontem essa necessidade de escape por questões monetárias, uma vez que pode subscrever problemas de grandeza nacional futuramente.
Nesse sentido, é substancial o entendimento da correlação entre disparidades financeiras e permanência na escola. Dados do estudo Aprendizagem em Foco apontam que é possível associar diretamente a renda familiar por cabeça dos alunos ao tamanho da jornada deles, no processo de estudo. Dessa forma, pessoas que por causas diversas, como pais de menor escolaridade — que revela um problema estrutural — precisam abandonar a escola para trabalhar devido à ausência de renda na casa são os mais afetados. Logo, conclui-se que a permanência dessa adversidade pode causar imbróglios diretos no país.
Além disso, também é vital expor o quão associado estão os elevados índices educacionais ao nível de desenvolvimento de uma nação. Acerca disso, Theodore Schultz, ecônomo, demonstrou que países com altas taxas de escolarização são capazes de produzir tecnologias e serviços sofisticados que auxiliam o recrudescimento da capacidade produtiva de um Estado. Assim, números constantes de evasão de escolar ao longo dos anos indicam pesquisadores e cientistas perdidos e, consequentemente, capital humano subutilizado.
Portanto, ficam evidentes as causas e os efeitos negativos da evasão escolar. Caberá, então, ao Ministério da Educação, em conjunto com o Ministério do Desenvolvimento Social, promover ações que objetivem mitigar a evasão escolar. Isso pode ser feito por meio da criação de um programa de receita financeira básica para alunos que possuem a renda familiar per capita menor que um valor pré-estabelecido, recebendo uma quantidade de dinheiro para custear necessidades em casa, de modo a postergar a sua presença dentro do sistema de ensino nacional. Atitudes assim promoverão avanços qualitativos ao país.