Evasão escolar e a realidade brasileira
Enviada em 19/04/2023
O documentário brasileiro “Contraturno” acompanha a vida dos jovens Vitor e Renata, estudantes do ensino médio, que têm que conciliar o estudo com o trabalho, para ajudarem na renda de suas famílias, o que os faz pensar em largar os estudos. Fora da ficção, uma parte dos jovens brasileiros passam pelo mesmo dilema, considerando que na realidade do país a evasão escolar é uma questão crescente, principalmente por conta da negligência estatal e da desigualdade social.
Diante disso, a negligência estatal é um dos agentes da evasão escolar. De acordo com o INEP, 90% dos evasores, do ensino médio, eram estudantes de escolas públicas, já nas escolas privadas a taxa cai para apenas 10%. Levando em conta o dado mencionado, pode-se perceber que as escolas administradas pelo Estado tem um índice de evasão muito maior do que as redes privadas, isso se dá devido à falta de investimentos na educação, o que faz com que o ensino na rede pública seja mais defasado e não atual, com livros com linguagens mais antigas, professores não tão qualificados e um afastamento da era digital, sem aulas de informática ou aparelhos eletrônicos para serem usados durante as aulas, o que desestimula o aluno a estudar.
Além disso, a desigualdade social também é uma das causas do abandono escolar no Brasil. Segundo o IBGE, 86% dos alunos que deixaram o ensino médio viviam com até salário mínimo e apenas 1,8% tinham uma renda familiar maior que cinco salários. Dado o exposto, pode-se entender que a condição financeira familiar afeta na continuidade dos estudos de um estudante do segundo grau, porque como já não são mais crianças podem arrumar um emprego para ajudar no sustento da família, o que atrapalha muito os estudos, devido à carga horária e falta de tempo para realizar atividades e trabalhos escolares.
Desse modo, a evasão escolar é extremamente prejudicial para a sociedade brasileira e, por isso, deve ser combatida. Portanto, cabe ao governo federal, junto ao Ministério da Educação, auxiliar financeiramente as famílias de estudantes, do ensino infantil ao médio, que têm como renda até dois salários mínimos, por meio de um programa de transferência de renda chamado Auxílio Estudante, o que fará com que os jovens passassem a não desistir dos estudos devido à condição financeira em que estão, o que faz com que histórias como a de Vitor e Renata se tornem praticamente inexistentes.