Evasão escolar e a realidade brasileira
Enviada em 01/05/2023
Segundo Paulo Freire, a educação possui caráter libertador, mudando pessoas e transformando o mundo. No entanto, quando observado o cenário educacional na realidade brasileira, constata-se que o ideal defendido pelo pensador está presente na teoria, mas não na prática, tendo com vista os altos índices de evasão escolar. Diante dessa perspectiva, cabe analisar a negligência governamental, a qual contribui para a persistência das desigualdades sociais.
Nesse contexto, é importante destacar como a falta de investimentos públicos agrava o caótico quadro de evasão. De acordo com a Central Única dos Trabalhadores, em 2022, o segundo maior corte de orçamentos ocorreu nos recursos destinados ao Ministério da Educação, o qual fere o Artigo 208 da Constituição Federal, que garante programas para continuidade na escola. Dessa forma, ao não fornecer os investimentos que colégios públicos necessitam, a permanência dos alunos é inviabilizada, seja pelo transporte ou alimentação. Assim, o descaso governamental acaba por contribuir para o abandono escolar.
Ademais, convém apontar que a evasão escolar é um fator determinante para a manutenção da estratificação social. Conforme Pierre Bourdieu, a educação, apesar de ser vista como solução, na prática, pode ser forma de exclusão. Desse jeito, os alunos mais pobres, os quais pela falta de incentivo e pelo ingresso no mercado de trabalho, desistem dos estudos básicos. Destarte, a possibilidade de iniciar um curso de graduação é excluído, o que torna o ex-estudante propenso ao trabalho informal, panorama esse que contribui para a conservação da condição de vulnerabilidade.
Portanto, medidas são necessárias para combater a evasão escolar. É dever do Poder Executivo, representado pelos prefeitos e presidente, promover a ação: “Equidade Brasil”, por meio de um projeto de lei entregue à Câmara dos Deputados. Tal iniciativa deverá considerar como prioridade o combate ao abandono escolar, analisando minuciosamente suas causas e consequências. Espera-se, por conseguinte, que as leis existentes sejam cumpridas e asseguradas, diminuindo as desigualdades e garantindo uma educação libertadora.