Evasão escolar e a realidade brasileira

Enviada em 30/09/2017

No início eram faltas aleatórias. Logo, passaram a ser semanais. Em seguida, os professores foram se habituando ao silêncio quando faziam a chamada escolar. De repente, o aluno não compareceu mais e seu nome foi riscado da lista de presença. Segundo o último Censo Escolar divulgado pelo Ministério da Educação, a evasão escolar no ensino médio alcançou 11% do total de alunos. Entretanto, ao fazer uma análise mais consistente, entende-se que fatores comportamentais e sociais convergem para essa problemática no Brasil.

Em uma primeira abordagem, verifica-se que o principal motivo dos alunos abandonarem os estudos é a falta de interesse. Conforme o teólogo Rubens Alves, há escolas que são gaiolas e há escolas que são asas. Seguindo essa linha de pensamento, grande parte dos alunos não participam das aulas, uma vez que se restringem a escutar palestras dos professores e, de vez em quando, anotar o que foi escrito no quadro. Além disso, inúmeras crianças e adolescentes com ótimo potencial não se sentem desafiados intelectualmente. Em virtude disso, o foco dos estudantes diminuem, em decorrência também do exagero de conteúdo e da sua falta de contextualização.  Dessa forma, é preciso mudar o currículo do ensino para aumentar o interesse pelas disciplinas e melhorar o aprendizado.

De acordo com dados da Fundação Getúlio Vargas, 27% dos estudantes largaram os estudos devido à necessidade de trabalhar. Por esse ângulo, constata-se que um grande número de jovens ingressam no mercado de trabalho muito cedo, por isso a vida escolar acaba sendo esquecida. Tal situação é apoiada na legislação brasileira que obriga a frequência escolar até o final do ensino fundamental, assim, depois de concluí-lo, os pais exigem que os jovens passem a contribuir com o orçamento doméstico. Além do mais, quem consegue continuar no colégio, muitas vezes tem que conciliar os estudos com o trabalho e, por isso, sua produtividade acaba sendo prejudicada. Desse modo, inserir a tecnologia na educação diminuiria a ‘‘fuga’’ do ambiente escolar.

Fica claro, portanto, que a persistência da evasão escolar nas instituições de ensino brasileiras é fruto da ausência de interesse pelos estudos e da entrada no mercado de trabalho. Dessa forma, competem as escolas instituírem o ensino híbrido no currículo recorrendo à alternância de aprendizado online e offline, a fim de aproximar o conteúdo do universo digital do professor para liberar os professores para darem atenção individualizada aos estudantes. Ademais, o Ministério da Educação deve criar uma plataforma computacional que acompanhe o progresso dos alunos em tempo real por meio da identificação dos pontos fracos, com o intuito de desenvolver planos de estudos específicos para que ele trabalhe em cima de suas deficiencias. Só assim veremos uma invasão escolar no Brasil.