Evasão escolar e a realidade brasileira

Enviada em 17/06/2023

Segundo o educador brasileiro Paulo Freire, a educação não transforma o mundo, ela muda as pessoas. Todavia, percebe-se que, no Brasil, essa ideia está distante de ser cumprida, pois, de maneira inaceitável, pela alta incidência de evasão escolar essa transformação está sendo impedida. Dessa forma, torna-se evidente que a falta de investimento na educação e os desdobramentos da fuga escolar no corpo social são alguns dos precursores do problema.

De início, vale pontuar que de acordo com o economista britânico Arthur Lewis a educação nunca foi despesa, e sim um investimento com retorno garantido. Desse modo, é nefasto que o poder público não cumpra seu papel como agente fomentador de leis que combatam a evasão escolar, à exemplo de programas de incentivo a família e aos jovens que vivem em situações periféricas, o qual deve ser respaldado em ajudá-lo financeiramente, dado que dentro dessa parcela social encontra-se a maior taxa da fuga escolar, devendo essa lei ser chamada de Educa Mais, viabilizando assim, sua permanência na escola.

Ademais, é necessário compreender os impactos sociais causados pela fuga escolar. Nesse sentido, Durkheim, em sua obra “Homeostase” afirma que a sociedade é semelhante a um organismo biológico e precisa que todos os tecidos estejam bem para o bom funcionamento do órgão. Nessa perspectiva, comprova-se, portanto, como é inadmissível a evasão escolar no Brasil, uma vez que seus efeitos refletem negativamente na sociedade, por exemplo, afetando relações interpessoais saudáveis e dificultando o ingresso desses indivíduos no mercado de trabalho.

Logo, cabe ao MEC – visto que é o responsável por estabelecer ações e diretrizes educacionais – promover o debate e a elaboração de leis - como a Lei Educa Mais - por meio de amplas discussões nas escolas e praças públicas, que devem ser realizadas com o auxílio de professores, pedagogos e psicólogos , a fim de mitigar a fuga escolar e seus impactos negativos na sociedade. Tais ações promoverão, certamente, uma sociedade que muda pessoas que transformarão o mundo, como defendido por Paulo Freire.