Evasão escolar e a realidade brasileira

Enviada em 04/07/2023

A Constituição Federal de 1988, norma de maior hierarquia do sistema jurídico nacional, assegura o pleno desenvolvimento nacional do país e, aos seus cidadãos, o direito à educação. No entanto, é evidente que o Brasil hodierno encontra-se em um impasse no que diz respeito à garantia desse direito, ao passo que mais de 10% dos alunos de ensino médio abandonam os estudos. Com efeito, é fundamental analisar os principais propulsores desse cenário hostil: a desigualdade social e a negligência governamental.

Diante desse cenário, a estratificação social é um fator atenuante da evasão escolar. Sob essa ótica, é possível validar o conceito de “Dois Brasis” de Ariano Suassuna, no qual o autor distingue duas realidades brasileiras: a dos privilegiados e a dos despossuídos. Dessa forma, é possível relacionar as maiores taxas de evasão escolar em escolas públicas e áreas periféricas com a discrepância socioeconômica entre os dois “Brasis”. Por conseguinte, a estratificação social perpetua os altos índices de abandono escolar, que, por sua vez, potencializa a própria desigualdade, em um eterno efeito cíclico.

Ademais, vale ressaltar que a negligência governamental é uma das principais causas da evasão escolar. Consoante Frederich Hegel, é função do Estado defender seus “filhos”. É evidente que esse conceito encontra-se deturpado no Brasil ao passo que o Estado não prioriza a educação, se tornando omisso. Dessa forma, a falta de investimento financeiro na educação e na capacitação do corpo docente resulta a elevada taxa de evasão escolar.

Torna-se evidente, portanto, que a desigualdade social e a omissão estatal são as principais causas da evasão escolar no Brasil. Nessa perspectiva, cabe à mídia - instrumento de ampla abrangência -, em parceria com o Ministério da Educação, promover campanhas que dialóguem com o público jovem, por meio de redes sociais, a fim de comover sobre a importância do ensino básico completo. Paralelamente, cabe ao Estado - entidade de máximo Poder Executivo - priorizar a educação, por intermédio de investimento financeiro, com o fito de diminuir as taxas de evasão escolar. Dessa maneira, é possível honrar a Constituição Federal de 1988 e garantir o acesso à educação.