Evasão escolar e a realidade brasileira

Enviada em 08/10/2017

A tradição e a precariedade educacional

Mecanização, memorização e meritocracia: o modelo arcaico da educação brasileira repulsa os alunos das instituições de ensino. Promovendo essa evasão e suas consequências para o Brasil, têm-se um sistema impessoal, valorizador da memorização e excludente no que tange à igualdade de oportunidades. Sendo assim, vale uma reflexão acerca dessa problemática da contemporaneidade.

Em primeiro plano, cabe uma análise da mecanização como promotora de um desinteresse pela escola. A teoria Iluminista de educação previa uma separação nítida entre docente e aluno, sendo o aprendizado unilateral. Essa relação do século XVIII, aplicada até hoje no Brasil, torna ensino mecânico e impessoal, com o envolvimento emocional quase nulo entre professores e estudantes, repelindo o desejo pelo estudo e contrariando o ideário moderno de que “todo professor é aluno e todo aluno é professor”.

Outrossim, o tradicionalismo e a política impedem o pleno desenvolvimento do juízo crítico. Interesses governamentais em um povo pouco politizado se apoiam nas teses arcaicas de educação, incentivando uma memorização dos conteúdos em detrimento do pensamento lógico e racional. Além de ser mais um repelente ao colégio, os reflexos dessa intenção estatal perversa se materializam na permanência de governos ineficazes e na carência educacional do povo brasileiro.

Ademais a ideologia meritocrática esconde ,sobretudo ,os reais problemas da educação nacional. Iludidos pelo discurso de que o esforço gera sucesso, milhares de jovens se frustram ao fracassarem em seus objetivos. As distâncias sociais não permitem uma plena justiça na competição por um mesmo anseio. Desta forma, é inviável que, ao ingressar na escola, crianças carentes busquem a dedicação, uma vez que a infraestrutura precária e a falta de oportunidades impedem tanto o desejo pelo estudo quanto a construção de um futuro melhor.

Percebe-se, portanto, que a evasão escolar é condicionada por um tradicionalismo e tem variadas problemáticas sociopolíticas. Com o intuito de revolucionar o ensino arcaico, cabe uma convocação, pelo Ministério da Educação, de professores e pedagogos para um simpósio que vise criar novas técnicas educacionais. Inspirado no lúdico e na modernização, esse congresso deve valorizar a opinião inovadora, por meio do direito de fala a cada presente, elaboração de manuais sobre como implementar a nova educação e, posteriormente, palestras aos diretores de múltiplas escolas acerca dos benefícios desse novo modelo de ensino, buscando levá-lo a todas regiões do Brasil.