Evasão escolar e a realidade brasileira
Enviada em 23/10/2017
Ciclo da desigualdade
De acordo com o ativista social Nelson Mandela, a educação é a maior arma para mudar o mundo. Entretanto, esse potencial é fragilizado quando questões de renda e a péssima estrutura educacional induzem os estudantes a abandonarem as escolas. Dessa forma, a possibilidade de ascender socialmente estará mais distante das camadas populares.
No livro Capitães de Areia, de Jorge Amado, retratasse o desejo do personagem Professor em frequentar um colégio, mas se vê impossibilitado por sua condição de garoto de rua. Em paralelo, vários jovens deixam os estudos por também possuírem poucas condições financeiras, como observado pelo levantamento feito pelo IBGE, no qual afirma que a média salarial das famílias das crianças que não terminaram regularmente o Ensino Fundamental é em torno de 436 reais. Nesse aspecto, os fatores da evasão escolar ligados à falta de dinheiro se evidenciam na gravidez precoce, imposição da família para a complementação da renda, ou no interesse na aquisição de bens, circunstâncias que dificultam a conclusão do currículo estudantil.
Segundo Milton Friedman, ganhador do prêmio Nobel de Economia, a pior forma de se gastar dinheiro é utilizando recursos de outros com os outros. Nesse sentido, o Estado brasileiro comprova essa ideia quando se mostra um péssimo gestor na área educacional, pois, conforme o Censo Escolar 2011, somente 19℅ das escolas públicas do Ensino Fundamental possuem sanitários adequados, enquanto apenas 17℅ contam com salas e vias adaptadas, o que torna os colégios em ambientes que favorecem a evasão. Entretanto, líder nos rankings educacionais na América do Sul, o Chile contorna essa situação através da política do “voucher” estudantil, o qual destina de forma direta parte das verbas educacionais para as famílias mais pobres utilizaram no setor privado, de maneira a gerar maior autonomia para os cidadãos, competividade no ramo educacional e, em consequência, a permanência dos estudantes nos colégios.
Em razão das problemáticas de teor monetário e a falta de condições do ensino público, vários jovens não permanecem nos estudos. Para combater isso, o Poder Executivo pode implantar o sistema de “voucher” como no Chile, enquanto revitaliza as escolas em condições insalubres e o corpo docente estimula a participação dos pais dos alunos através de reuniões. Dessa maneira, a fixação dos estudantes em condições de risco nas salas de aula estará mais evidente, o que romperia com o ciclo da desigualdade.