Evasão escolar e a realidade brasileira
Enviada em 26/10/2017
Bill Gates, empresário estadunidense, largou a faculdade para criar a Microsoft, empresa da área de tecnologia e informação, e se tornar o homem mais rico do mundo. No Brasil, a realidade é bem diferente: um número alarmante de jovens abandonam os estudos, muito antes da faculdade, por questões sociais, como necessidade de trabalhar e gravidez na adolescência, tornando necessária a diminuição desse índice para a formação de uma sociedade mais justa e igualitária.
Vale ressaltar que, os principais motivos para a evasão escolar são: escola distante de casa, gravidez, falta de transporte escolar, não ter adulto que leve até a escola, falta de interesse e ainda doenças/dificuldades dos alunos. Segundo Kant, a educação “constrói” o homem e, assim, o torna capaz de gozar sua liberdade. Portanto, a evasão escolar não só prejudica a formação do indivíduo como fere seu direito à liberdade já que o indivíduo torna-se incapaz de compreender diversas situações que ocorrem ao seu redor, como aconteceu na Revolta da Vacina, no Rio de Janeiro, ocorrida no século XX, em que os setores mais baixos da população, e com menos anos de estudo, se revoltaram contra a vacinação obrigatória por não entenderem que esta acontecia para sua proteção.
Ademais, há uma relação direta entre educação e salário. Segundo a FGV, Fundação Getúlio Vargas, há um aumento de 15% no salário para cada ano adicional de estudo. Logo, a evasão escolar, que, de acordo com o estudo Aprendizado em Foco, afeta em maior parte as famílias de baixa renda, tende a criar um ciclo vicioso: famílias de menor renda, em geral, têm um maior índice de evasão escolar e, como o número de anos de estudo, em média, nessas famílias é menor, o salário tende a ser mais baixo e o ciclo recomeça.
Infere-se, portanto, a evasão escolar é grave e merece medidas capazes de suavizarem seus efeitos. Para tal, o Ministério da Educação, que irá promover uma reforma no ensino médio, deve também realizar mudanças no ensino fundamental buscando um maior interesse do aluno e, em conjunto com o Ministério da Saúde, promover palestras em escolas buscando uma maior conscientização respeito da gravidez na adolescência, visto que estes são dois fatores ligados ao abandono da educação. Ademais, o Estado necessita, com a criação de novas escolas e melhorias nos transportes públicos, facilitar o acesso da criança à escola. Ainda, é importante a vinculação de programas sociais com a frequência escolar – apenas no programa Bolsa Família há esse vínculo – para garantir a presença das crianças na escola e diminuir o número de jovens que abandonam a educação para ingressar no mercado de trabalho.