Evasão escolar e a realidade brasileira
Enviada em 29/04/2024
No livro ‘Utopia’ de Thomas More, é desenvolvida a ideia de uma sociedade perfeita; nela inexistem problemas como a desigualdade e a ineficiência do sistema educacional. Fora da ficção, observa-se um cenário completamente oposto, onde as escolas estão despreparadas para o ensino, que, por sua vez, acaba em segundo plano quando o trabalho vira prioridade.
Dentro de um colégio, os alunos têm de enfrentar um método de aprendizado ultrapassado, que muitas vezes é atribuído ao professor. Porém, é importante se atentar à culpa que a infraestrutura dos colégios tem em limitar essas aulas a ambientes superlotados e sem acesso a laboratórios ou bibliotecas, por exemplo. Assim, temos um contexto onde o padrão é o desinteresse, a exemplo do filme ‘Escritores da Liberdade’, onde a protagonista luta para conseguir a atenção e respeito de alunos cujo aprendizado tinha sido abandonado pelos seus superiores.
Em segunda análise, de acordo com o filósofo Karl Marx, ‘o trabalho não é a satisfação de uma necessidade, e sim um meio para satisfazer outras necessidades’. Podemos fazer a relação do trabalho com a sobrevivência e como isso se aplica na realidade dos estudantes das classes mais baixas da sociedade. Desse modo, torna-se claro o processo de abandono dos estudos em virtude do trabalho, visto que este não gera capital e, portanto, não será um tempo bem gasto para o indivíduo em situação de vulnerabilidade. Logo, essa massa de trabalhadores se encontrará em posição difícil, onde sua mão de obra se tornará ainda mais explorada em virtude da falta de ensino.
Em suma, o estudo se mostra relevante e deve ser assegurado à população. Por conseguinte, o governo federal deve investir na educação por meio de um aumento na verba desse setor, visando a criação de mais escolas e a reforma das existentes, ao passo que incentive os estudantes de baixa renda com o ampliamento do programa de bolsa permanência do ensino médio. Esse processo visaria uma melhora geral nos institutos públicos de instrução e, consequentemente, aumentaria o interesse desses jovens em frequentar esses espaços, ao mesmo tempo em que traria uma medida mais direta para aumentar a aderência ao ensino médio.