Evasão escolar e a realidade brasileira

Enviada em 30/04/2024

O direito à educação é previsto pela Constituição Federal. Portanto, nos últimos anos tem sido observada uma parcela considerável de crianças e jovens evadindo do sistema de educação. Um dos resultados é que mais da metade das pessoas de mais de 25 anos não tem ensino médio completo. Nesse viés, a evasão escolar, acontece por diversos motivos, entre os quais a necessidade de o adolescente trabalhar para ajudar a compor o orçamento doméstico e o núcleo familiar instável.

Dessarte, é preciso anotar que, não raro, estudantes veem-se obrigados a trabalhar no contraturno para manterem-se a si próprios e as famílias. Obviamente, a dupla jornada – escola e trabalho – acarreta a evasão, cujos efeitos são devastadores: ao ex-aluno, a frustração; aos cofres públicos, a despesa, ao que parece, sem proveito. Essa interrupção vai desaguar, muitas vezes, no analfabetismo funcional, que, por sua vez, leva não só a colocações profissionais mal remuneradas, como também à geração freelancer – ou seja, à categoria de profissionais autônomos, aos quais não são asseguradas as prerrogativas da legislação trabalhista.

Ademais, nota-se, ainda, que o núcleo familiar instável pode recrudescer o problema. Isso acontece, infelizmente, porque não há frequentemente uma permanência continua do dialogo, no seio familiar, que esclareça e evidencie aos menores a importância da continuidade escolar para o desenvolvimento pessoal e profissional e, por conseguinte, suscitando uma liberdade sem responsabilidade nos pequenos e oposta ao processo educacional. Tal panorama fragmenta a concepção habersiana da “Ação Comunicativa”, em que o consenso sobre algo só pode ser alcançado por intermédio da conversação.

Infere-se, portanto, que a adoção de medidas para o combate da evasão escolar torna-se imprescindível. Faz-se necessário que as Secretarias Estaduais de Educação, crie um projeto que paute prioritariamente na assistência de equipamentos técnico-pedagógicos apropriados às condições individuais, com o propósito de despertar e estimular o interesse dos alunos pelas tarefas escolares. Somente assim, o direito à educação tornar-se-á cabal na realidade brasileira.