Evasão escolar e a realidade brasileira
Enviada em 26/01/2018
Segundo o sociólogo Durkheim, a sociedade moderna funciona como uma solidariedade orgânica, em que o bem-estar geral depende do bom funcionamento de todos os setores. Contudo, como um desses setores, a educação, está deficitária no Brasil, visto que apresenta certa evasão escolar dos alunos, o país enfrenta altos índices de violência. Nesse sentido, fatores de ordem histórica e social caracterizam a problemática.
É importante pontuar, de início, que a abolição da escravatura não representou a total obtenção da liberdade pelos negros. Esses indivíduos foram marginalizados e desumanizados durante um longo e recente período que reflete, atualmente, no racismo que ainda sofrem, inclusive dentro das instituições de ensino. Tal discriminação, a qual chega a ser realizada por professores, é responsável por desestimular os alunos a estudar e até causar a sua evasão. Prova disso é o relato dado pela cantora negra Karol Conca que falou no programa “Saia Justa”, do GNT, as ofensas que chegou a ouvir dos educadores e o quanto isso a desestimulava a ir para a escola.
Outrossim, a grande e histórica desigualdade social no país caracteriza outro agravante da questão. Devido ao fato de certas pessoas não apresentarem condições financeiras, muitas são levadas a tirar os filhos da escola, para ajudar com as despesas em casa, e a morar em ambientes de vulnerabilidade social. Nesses locais, marcados pela promiscuidade, violência e criminalidade, alguns jovens são mais propensos a apresentarem uma gravidez na adolescência ou a se envolver com o crime, o que poderia levar muitos a parar de estudar. Tal fator pode ser ratificado pelo livro chamado “Quarto de despejo” que conta, a partir de um diário, a vida de Carolina Maria, uma mulher negra que mora na comunidade e tem três filhos, e nutre um desejo de poder se mudar e morar em um lugar melhor para as crianças.
É notória, portanto, a relevância de fatores de cunho histórico e social na temática supracitada. Nesse viés, cabe ao governo realizar maior assistência a certas famílias carentes para que essas mantenham os filhos na escola. Tal medida pode ser efetivada por meio de programas, como o Bolsa Família, que forneçam suficientes recursos financeiros mensalmente com a condição de que os filhos estejam estudando. Ademais, é fundamental que a mídia promova campanhas de conscientização contra o racismo e incentive as pessoas a denunciarem e a família forneça conforto e auxílio para os filhos que sofrem tal discriminação, seja na escola ou em qualquer outro lugar. Tal medida pode ser concretizada por meio de anúncios e propagandas nos principais meios de comunicação e diálogos esclarecedores. Por meio dessas medidas, talvez, será possível se aproximar do bem-estar geral proposto por Durkheim.