Experimentos científicos em debate no Brasil
Enviada em 08/04/2020
Em 2014, ativistas de animais invadiram o Instituto Royal e resgataram cerca de 178 cachorros da raça beagle e outros bichos após diversas denúncias de maus tratos. Eles eram usados para testes de produtos farmacêuticos por quase uma década de pesquisas. Ainda nesse ano, grandes debates éticos foram gerados a cerca do uso de animais para fins científicos pelo Brasil. Nesse contexto, cabe analisar os motivos que tornam esse tema divisor de opiniões nos setores da sociedade.
Primeiro, vale falar dos avanços na medicina humana. Segundo os pesquisadores prós, é necessário o uso de animais,pois são os organismos mais próximos dos seres humanos e por isso as respostas imunológicas e celulares de um experimento serão quase as mesmas quando aplicados nos homens. Depois de experiências feitas em macacos, surgiu a vacina contra a Poliomelite, que causa a paralisia infantil, e, que hoje é imprescindível nas carteiras de vacinação infantil e garante uma vida saudável a muitas pessoas. É importante falar que existe na comunidade científica a consciência de evitar crueldade com os bichos e a criação de Comitês éticos antes das experiências, além da necessidade de incentivos financeiros na busca de métodos alternativos ao teste em animais.
No entanto, deve-se lembrar das situações estressantes que passam os animais em experiências para cosméticos. Isso porque para avaliar a segurança e potencial de irritação e corrosão de produtos de pele e olhos, por exemplo, coelhos passam pelo Teste de Draize, que consiste na aplicação desses produtos direto nos olhos deles e por uma semana seus olhos ficam abertos com auxilio de clips de metal. Normalmente, isso causa danos irreparáveis aos olhos, deixando-os ulcerados, além do medo e morte do bicho. Esse cenário demonstra o custo da integridade física e emocional e o sacrifício desse animal, em prol da manutenção da vaidade humana que considera maquiagem de pele mais importante que a vida de um coelho. Essa situação exposta reforça a frase do Dr. Albert Schweitzer que diz, “O erro da ética até o momento tem sido a crença de que só se deva aplicá-la em relação aos homens.”
Infere-se, portanto, que medidas devem ser tomadas de maneira que o avanço da saúde continue e o sofrimento de animais diminua. Faz-se necessária a ação do Ministério da Educação conferindo estímulo aos pesquisadores por meio de bolsas de estudos com foco nos estudos de técnicas in vitro de tecidos humanos e animais a fim da substituição dos testes em camundongos, cachorros e outros. Além disso, é interessante a votação de lei nas Assembleias Legislativas de cada estado com propósito de proibir testes e a venda de produtos de beleza avaliados por meio de experiências extremas como a citada. Dessa maneira, a progressão da sociedade ocorre em consonância ao respeito de toda vida e criatura que vive na Terra.