Experimentos científicos em debate no Brasil

Enviada em 13/04/2020

A recente pandemia de COVID-19 deixou o mundo ansioso pela produção de uma vacina, e isso fez com que o desenvolvimento de medicamentos ficasse em evidência e passasse a ser foco da discussão de especialistas e também de leigos. Isso vem reacendendo um antigo debate sobre a pertinência, ou não, do uso de animais em experimentos científicos. Tal utilização ainda é uma necessidade no desenvolvimento de certas pesquisas essenciais à vida, e deve ser tolerada, mas apenas nesses casos.

Há algumas décadas o debate ético em torno da utilização de animais para o desenvolvimento de pesquisas vem se intensificando. Nesse ínterim, grupos de ativistas defendem que experiências com seres vivos sejam completamente proibidas. Para isso, alegam que já há maneiras de simular tais organismos e prever os resultados de experimentos sem seu uso. Além disso, acreditam que nos casos em que essa substituição ainda não seja possível, a proibição aceleraria o desenvolvimento de métodos alternativos. Esse tipo de pressão faz efeito, e muitas universidade brasileiras de renome, como a USP, vem substituindo o uso cobaias por programas de computadores que simulam o comportamento e as características físicas de ratos, por exemplo.

Por outro lado, é digno de nota que tais substituições ainda se limitam, majoritariamente, a experiências realizadas para fins didáticos, as quais têm seus resultados já previsíveis. No entanto, de acordo com especialistas, hoje a ciência ainda não é capaz de substituir organismos vivos em alguns tipos de pesquisa. Por exemplo, para a produção de novos fármacos, em muitos casos a computação ou a produção de células em laboratório não conseguem simular precisamente um corpo complexo, sendo esses, assim, métodos complementares, mas não substitutivos à utilização de animais.

Uma possível solução para esse problema seria permitir a utilização de animais em experimentos científicos apenas para a produção de novos medicamentos, e mesmo assim se a pesquisa for inédita e se alguma substituição não for possível. Para avaliar tais casos, um conselho de ética deveria ser reunido sempre que houverem testes a serem realizados em animais. Tais agrupamentos deveriam ser formado por médicos, biólogos, pesquisadores, representantes da sociedade civil e por ativistas. Dessa forma, garantiríamos que os animais seriam usados apenas em casos de extrema necessidade e que, além disso, fossem bem tratados nessas situações específicas. Paralelamente, a CAPES poderia fomentar linhas de pesquisas voltadas especificamente para o desenvolvimento de métodos alternativos seguros ao uso de animais em laboratório. Faria isso com incentivo financeiro e também criando premiações, pois dessa forma poderíamos antever um futuro sem cobaias na ciência.