Experimentos científicos em debate no Brasil

Enviada em 02/11/2020

O historiador israelense, Noah Harari, discorre acerca de a maior dificuldade para a permanência da espécia humana no planeta no século XXI ser a delimitação ética para o desenvolvimento da inteligência artificial. Entretanto, diversas outras dificuldades, como crises sanitárias e ambientais, estão em pauta atualmente. Analogamente, no Brasil, discursos políticos e posicionamentos midiáticos sensacionalistas relacionados a experimentos científicos contribuem para que o país fique mundialmente deslocado no desenvolvimento de pesquisas, que contribuem para a manutenção da espécie humana. Nesse sentido, é imprescindível que haja um debate entre Estado e sociedade, a fim de que os impasses para a promoção da ciência sejam sanados.

A priori, pode-se apontar os discursos de desvalorização dos trabalhos científicos como causa da estagnação dos diversos experimentos no país.Dessarte, a frase da escritora francesa, Fraçoise Héritier, acerca de o mal começar com indiferença e resignação é consolidada, visto que os líderes políticos, com o objetivo de adquirem credibilidade frente às situações adversas - como a pandemia de COVID19 - proliferam inverdades sobre as pesquisas científicas.Isso é evidente com a existência de promessas e notícias falsas - como as do descobrimento de remédios para a “cura” do vírus SarsCov, que não tem cura, apenas a busca pela prevenção - são frequentes. Assim, a sociedade brasileira, além de sofrer polarização para a defesa (ou não) da credibilidade da ciência, se vê em meio ao lento desenvolvimento científico e informacional.

A posteriori, convém ressaltar o sensacionalismo midiático como agravante desse cenário. Dessa forma, a ideia de Pitágoras sobre o que fala semear e o que escuta recolher é consolidada, já que, com a seleção política das informações a serem divulgadas,a  mídia escolhe o que o público terá como fato. Nesse sentido,objetivando à audiência, jornais - como O Globo, UOL e Folha de São Paulo - formam consórcios para divulgarem informações científicas com seus posicionamentos políticos. Isso, por consequência, dificulta o senso crítico dos leitores no que cerne ao desenvolvimento de experimentos científicos no país,posto que esses terão apenas uma fonte de informações. Assim, há, novamente, a polarização da sociedade, que, quase nunca, valoriza pesquisas científicas laicas.

Diante disso, torna-se evidente o descompasso entre governo e sociedade na resolução dos erros existentes.Cabe, portanto, ao Judiciário,poder que regulamenta o Estado,  a abertura de processos, por meio do STF, contra pessoas políticas que proliferam informações duvidosas sobre a ciência, a fim de que não ocorra o descrédito desta; e ao Congresso Federal,a proibição de consórcios de imprensa, com o objetivo de extinguir o monopólio informacional. Assim, o país terá uma ciência livre e íntegra.