Experimentos científicos em debate no Brasil
Enviada em 30/11/2020
Em meados de 2013 ocorreu uma invasão ao instituto Royal, que resultou no furto de cães da raça “beagle”, assim como diversos outros animais, com o objetivo de impedir os contínuos testes laboratoriais realizados sob os mesmos. Tal manifestação trouxe à tona um debate relevante a respeito da necessidade do uso de cobaias em testes laboratoriais para remédios ou cosméticos. Nesse contexto, é importante compreender os lados opostos dessa discussão, a fim de criar uma comunhão entre o avanço científico e a bioética.
Em primeiro lugar, é necessário analisar a relevância do uso destes animais para o progresso científico de forma segura ao ser humano. Tal faceta foi abordada pelo filósofo René Descartes, que argumentava que animais deveriam se considerados como ferramentas para o uso do homem, máquinas sem nenhuma razão ou emoção. Atualmente, a ciência tem uma visão mais complexa da senciência animal, porém o Concea (Conselho Nacional de Controle e Experimentação Animal) ainda considera imprescindível para medicina contemporânea a utilização de animais para a finalidade de educação e pesquisa científica. Apesar disso, o órgão regulamenta esta atividade de forma rigorosa, de maneira a não causar danos desnecessários às cobaias.
Sob outro panorama, deve-se pautar a importância da mitigação do sofrimento animal nesse cenário. O filósofo Peter Singer, escritor do livro “Libertação Animal”, disserta que os animais devem ser tratados de forma igualitária, devido ao fato de que são capazes de sentir dor de forma semelhante a seres humanos. Neste aspecto, o autor condena o uso indiscriminado de animais em testes de laboratório. Todavia, conforme Singer, tal uso pode ser realizado sob uma visão utilitarista, isto é, se o auxílio a humanidade for maior que as mazelas causadas as cobaias. Portanto, esta perspectiva questiona esta atividade, ao mesmo tempo que pondera seus eventuais benefícios, sendo que cada caso dever ser analisado de forma isolada, com a finalidade de conter o sofrimento animal.
Em resumo, conclui-se que no momento presente o uso de animais como cobaias para a obtenção de novos remédios e procedimentos hospitalares é inevitável, contudo, devem-se buscar novas alternativas para minimizar o sofrimento destes seres. Dessa forma urge que o Ministério da Ciência e da Tecnologia, por meio de uma aliança público-privada, invista em novas pesquisas neste setor, investigando possibilidades que não façam uso de animais para testes laboratoriais, ao mesmo tempo em que assegurem a saúde das pessoas. Só assim, será possível limitar o prejuízo sob a vida de qualquer animal, sejam humanos ou não.