Experimentos científicos em debate no Brasil

Enviada em 10/05/2021

Na mitologia egípcia, os deuses portavam características animalescas em parte do seu corpo, conceito conhecido como antropozoomorfismo, a partir do qual é possível perceber a valorização animal que prevalecia naquela civilização. De forma contrária, o panorama apresentado no Brasil hodierno revela a utilização desses seres em experimentos científicos, de modo insensível e infindável. Nesse sentido, atribui-se ao menosprezo do sofrimento animal e ao favorecimento do lucro os fatores determinantes para a manutenção do problema na sociedade.

Em primeira análise, é fulcral pontuar a desvalorização da dor dos animais como um agravante do impasse. Nessa perspectiva, o filósofo Jeremy Bentham afirma que não é relevante se os animais são capazes de pensar, mas se eles são capazes de sofrer. Dessa forma, ao não levar em consideração a dor que os experimentos causam às cobaias vivas, a ciência, que deveria tão somente contribuir para o avanço da sociedade, favorece a conservação de uma prática retrógrada e primitiva. Para exemplificar essa situação, cita-se o Instituto Royal, estabelecimento que executava testes em cães no interior de São Paulo, mas que, felizmente, foi fechado em 2013 após o resgate dos animais. No entanto, organizações diversas prosseguem realizando atividades semelhantes e isso não deve seguir adiante, tendo em vista representar um ato de crueldade.

Ademais, indica-se a preferência por lucro e praticidade no meio científico como coeficiente da permanência do revés. Conforme Karl Marx, o capitalismo prioriza os ganhos em detrimento dos valores. À luz disso, entende-se que a indústria científica, sendo regida pelas amarras do capitalismo, em geral, não tem se preocupado em substituir o uso de seres vivos nos testes em laboratório, uma vez que seguir com essa técnica atroz é cômodo e viável, tendo sido aplicada desde a gênese da ciência e perdurado até os dias atuais em empresas renomadas, como Nivea e MAC . Todavia, isto não pode ser aceito, fazendo-se crucial o desprendimento dessas correntes.

Portanto, atentando aos fatos mencionados, compete ao Poder Legislativo, responsável pela elaboração e revisão de leis que regem a vida e o Estado, impor a substituição do uso de animais como cobaias, por meio de uma lei que penalize e práticas do gênero e defina novos métodos matemáticos e computacionais para os experimentos. Desse modo, será possível recuperar os valores esquecidos pelo corpo social, segundo sugeriu Marx.