Experimentos científicos em debate no Brasil

Enviada em 20/07/2021

De acordo com o sociólogo Émile Durkheim, a sociedade pode ser comparada a um “corpo biológico”, por ser, assim como esse, composta por partes que interajam entre si. Desse modo, para se obter um pleno funcionamento do meio social é necessário mantê-lo igualitário e coeso. Contudo, no Brasil, isso não ocorre, visto que ainda se realizam experimentos científicos com animais. Isso é possível, devido à falta de fiscalização, além da ausência de empatia da população, favorecendo assim um cenário de iniquidade.

Em primeira análise, deve-se ressaltar a falta de fiscalização como um dos principais responsáveis pela permanência da utilização de animais em experimentos científicos. Segundo o filósofo Rousseau, “o homem nasce livre, mas em toda parte se encontra acorrentado”. Nessa perspectiva, depreende-se que o governo aprisiona os cidadãos, uma vez que há uma lei já sancionada que protege os bichos de serem utilizados em alguns desses procedimentos científicos. Com isso, os governantes afirmam já estarem assistindo os animais. Entretanto, na prática, sem as fiscalizações a lei acaba não possuindo a aplicabilidade que deveria. Dessa maneira, são os animais quem continuam sofrendo as consequências do descaso governamental.

Ademais, a ausência de empatia emerge como fator determinante para continuidade da realização de experimentos científicos em animais. Conforme a filósofa Hanna Arendt “quando uma atitude agressiva ocorre constantemente, as pessoas param de vê-la como errada”. Nesse viés, por já ter se tornado uma atividade frequente, muitos cidadãos não olham a situação pela perspectiva do animal e defendem a permanência de seu uso em experimentos científicos, replicando pensamentos antigos, até então utilizados, que objetivavam a realização dessa prática. Sendo assim, os animais são obrigados a se submeterem a esses processos mesmo que eles sofram fisicamente com isso. Dessa forma, dificultando a proteção da vida daqueles que não conseguem se defender.

Portanto, são necessárias medidas capazes de mitigarem essa problemática. Para isso, é importante que o poder público, como regulador social, por meio do Ministério da Saúde, promova fiscalizações regularmente, afim de fazer com que as empresas façam cumprir a lei e protejam a vida dos animais. Além disso, é imprescindível que a mídia, como difusora de informação, através de propagandas e ficções engajadas, promova a conscientização da população, de modo a atenuar a realização dessa prática ao máximo e aumentar o número de defensores desses animais. Desse modo, contribuindo para a concretização do pensamento de Durkheim.