Experimentos científicos em debate no Brasil

Enviada em 18/10/2021

De acordo com o filósofo grego Aristóteles, a ética, como uma virtude, torna-se alcançável, por intermédio das vontades, em prol da conquista da felicidade. Entretanto, em busca do progresso intraespecífico, o ser humano constata-se, equivocadamente, no direito de sobrepor seu desenvolvimentismo ao bem estar de outras espécies. Assim, faz-se necessário o debate acerca dos fatores responsáveis pela validação dessas práticas, bem como sua desconstrução cientificamente embasada.

Convém destacar, primariamente, que a fundamentação desses procedimentos provêm de conclusões filosóficas, consideradas, por senso comum, verdades incontestáveis. Dessa forma, ao introduzir o pensamento epistemológico moderno, o filósofo prussiano Immanuel Kant uniu duas correntes filosóficas até então dialéticas: o empirismo e o racionalismo. Assim, desde então, a formulação de pensamentos racionais relacionam-se intrisecamente à experimentação sensível, e, assim, afastando-se de seu lado animalesco, o indivíduo legitima suas práticas não empáticas na fundação de um pensamento categórico seguro.

Entretanto, na contramão do criticismo Kantiano aplicado ao Reino Animália, observa-se a aproximação científico-biológica, entre o homem e outras espécies, como contraponto desfavorável à tais práticas. Em vista disso, basenado-se na teoria evolutiva, proposta por Charles Darwin, em sua grande obra “A Origem das Espécies”, observa-se a construção de uma ancestralidade direta entre o Homo sapiens e os mais diversos seres. Nessa perspectiva, ao se apropriar da liberdade natural de outrem, o ser humano nega suas origens, em prol de um desenvolvimento progressista completamente egocêntrico mediante exploração de seus semelhantes.

Portanto, evidencia-se, mediante o exposto, a urgente necessidade da institucionalização moral da relação sapiens-animal. Dessa forma, faz-se imprescindível que, o Estado, por meio de reformas legislativo-constitucionais, restrinja a realização de testes científicos, inviabilizando-os quando em discordância com princípios empáticos básicos, para que, assim, o sumo bem torne-se uma virtude amplamente atingível, independente da origem.