Feminicídio no território brasileiro

Enviada em 14/03/2026

Em sua obra “O Segundo Sexo”, a filósofa Simone de Beauvoir afirma que a mulher foi historicamente construída como “o outro”, isto é, colocada em posição de inferioridade em relação ao homem. Essa lógica de desigualdade, estruturada ao longo dos séculos, contribuiu para a naturalização de diversas formas de violência contra a mulher. No Brasil contemporâneo, uma das manifestações mais graves desse problema é o feminicídio — crime que evidencia como a cultura machista ainda influencia relações sociais e afetivas. Nesse contexto, torna-se necessário discutir como a normalização de comportamentos abusivos e a fragilidade na proteção das vítimas contribuem para a permanência desse cenário.

Em primeiro lugar, a naturalização de atitudes possessivas e violentas nas relações amorosas favorece a perpetuação da violência de gênero. A série Adolescência, ao retratar relações marcadas por ciúmes e controle sobre o comportamento feminino, ilustra como práticas abusivas podem ser interpretadas socialmente como demonstrações de afeto. Esse tipo de percepção distorcida reforça padrões machistas que enxergam a mulher como objeto de posse masculina. Quando tais comportamentos não são problematizados, criam-se ambientes propícios para escaladas de violência que, em alguns casos, culminam no feminicídio.

Além disso, a ineficiência na proteção das vítimas também contribui para a gravidade do exposto. Embora a Lei Maria da Penha, criada em 2006, represente um avanço no combate à violência doméstica, muitas mulheres continuam desamparadas mesmo após denunciar seus agressores. De acordo com dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, grande parte dos feminicídios ocorre dentro da residência da vítima e é cometida por parceiros ou ex-parceiros. Isso demonstra que, ainda há falhas na garantia de segurança para as mulheres.

Portanto, faz-se necessário adotar medidas que enfrentem as raízes desse problema. O Ministério da Educação, em parceria com secretarias estaduais , deve implementar programas escolares voltados à educação de gênero, por meio de palestras, debates e materiais pedagógicos que estimulem o respeito e a igualdade. Paralelamente, o Estado deve ampliar o investimento em delegacias especializadas e redes de acolhimento às vítimas. Dessa forma, é possível combater essa questão.