Feminicídio no território brasileiro
Enviada em 09/10/2022
O feminicídio está presente na sociedade há séculos, desde em Otelo, personagem de Shakespeare, que mata Desdêmona por ciúmes, até na sociedade chinesa pré-revolucionária, que preteria filhos a filhas, chegando ao limite de assassinar bebês do gênero feminino, como relatou matéria vinculada à BBC British. Vê-se que, tanto no Brasil quanto no mundo, um elemento comum em todos esses casos é a desconfiança em relação ao gênero feminino e a crença, velada ou clara, de ser o gênero masculino superior, assim gerando uma cultura machista, mesmo entre as próprias mulheres, e mais propícia ao feminicídio.
A preferência por filhos na China, ademais, continua até hoje, apesar de menos evidente. O aborto de um feto feminino, por exemplo, é três vezes mais provável do que se fosse um feto masculino. O pano de fundo dessas ações é a ideia de que homens são mais úteis e capazes, e que mulheres são mais ignorantes e propensas a “desonrar a família”. Porém essa crença não é exclusivamente chinesa. No Brasil, não é raro ouvir um pai afirmar que é mais difícil ter filhas, que elas precisam de mais cuidado, e que homens são mais independentes. Tudo isso contribui para uma atmosfera de machismo e desvalorização da mulher em relação ao homem.
Aliás, entre as próprias mulheres há esse pensamento, que se colocam num plano inferior a seus cônjuges. Desse modo, quando há algum tipo de violência doméstica, elas estão menos dispostas a denunciar os agressores, justificando-os com toda a sorte de argumentos, o que contribui para a manutenção dessas agressões, que podem se desenvolver até chegar no feminicídio.
Portanto, é essencial mudar essa cultura. O governo federal, por meio do Ministério da Cidadania, poderia vincular, nos meios de comunicação, campanhas de conscientização sobre o machismo e o feminicídio na sociedade brasileira e incentivando mulheres à denunciar agressores; campanhas essas que seriam financiadas com impostos cobrados sobre homens que praticaram algum tipo de violência doméstica. Dessa forma, se pune o agressor ao mesmo tempo que se previne futuras agressões por meio de uma maior consciência dos jovens, homens e mulheres.