Feminicídio no território brasileiro

Enviada em 27/09/2022

Na obra “Utopia”, do escritor Thomas More, é apresentada uma sociedade perfeita, na qual o corpo social é ausente de conflitos e problemas. No entanto, o que se observa na realidade contemporânea é o oposto ao que o autor prega, tendo em vista que a presença de feminicídios ainda persiste no mundo moderno. Desse modo, esse cenário antagônico é fruto da desigualdade de gênero e do machismo na sociedade.

Sob esse viés, é fulcral pontuar a inércia estatal no combate das desigualdades sociais das mulheres. Segundo dados do site CNN Brasil, a participação das mulheres no mercado de trabalho é 20% inferior à dos homens. Devido à falta de mobilização constitucional, o Brasil segue com baixos índices de participação feminina no mercado, e isso se deve pelo fato de não haver políticas públicas que influenciem e diminuam essa discrepância, o que gera mais oportunidades de criar-se uma depedência financeira nos homens e, logo, o aprisionamento em um relacionamento. Dessa forma, faz-se mister, de forma urgente, a reformulação da postura do Estado.

Ademais, é imperativo ressaltar o papel do machismo e patriarcalismo na formação estrutural da nação. De acordo com o Fórum brasileiro de segurança pública, o Brasil contabilizou, em 2020, cerca de um feminicídio a cada seis horas e meia. Partindo desse pressuposto, graças à sociedade ter sido moldada a partir de uma visão das mulheres como inferiores e fracas, é nítida a perpetuação desse pensamento hodiernamente, no qual traduz os feminicídios como uma reafirmação desses ideais de superioridade. Logo, por causa da formulação social sobre a mulher ser baseada em um olhar de submissão, os homens continuam, infelizmente, com os sentimentos de superioridade e de possessão, o que gera mais agressões e feminicídios na atualidade.