Feminicídio no território brasileiro

Enviada em 22/09/2022

A Violência por “amor”

Em setembro de 2022, a iraniana Mahsa Amini, por não usar o “hijab”, obriga-tório no país, foi morta por policiais que alegavam estar defendendo a moralidade. Esse tipo de assassinato, que tem por “justificativa” o simples fato da vítima ser mulher, entretanto, não se restringe aos países muçulmanos. No Brasil, é crescente o número de feminicídios, que chegou ao patamar de 1.340 casos em 2020 e trans-parece um cenário delicado e subestimado que clama por cuidado e atenção.

Como bem posto por Jimi Hendrix, “quando o poder do amor superar o amor pelo poder, o mundo conhecerá a paz”. Aqui no Brasil, na ausência de mandatorie-dade quanto à vestimenta, há a forçada exerção de poder dos homens pelo uso da violência sobre as mulheres, justificada por “ciúmes” ou até “amor”. Essa atitude possessiva resulta de uma construção histórica e cultural de um país fundado so-bre o patriarcalismo, cuja característica principal é a dominação do homem sobre a mulher, uma cultura que segue firmemente enraizada até hoje.

Infelizmente, os dados já alarmantes da violência contra a mulher contabilizam apenas uma parcela do que se acredita ser a real quantidade. Isso se deve ao me-do e à falta de informação que impedem de os relatos chegarem à polícia. É preciso tornarem-se conhecidas as entidades que prestam ajuda às mulheres que sofrem dessa discriminação. Apesar de o despertar dos brasileiros quanto a essa questão ter, de fato, crescido, há ainda elevados índicies do crime a serem abaixados.

Haja vista a profundidade e a imensidão desse problema, medidas hão de ser tomadas. Cabe ao Ministério da Mulher, juntamente às escolas, promover a consci-entização das crianças quanto ao problema. Fará-se útil apresentar-lhes entidades de confiança como a Central de Atendimento à Mulher e ensiná-las a identificar qualquer indício de violência para reportá-la. Assim, a próxima geração brasileira saberá como lidar com situações de vulnerabilidade como essa, de modo a pedir e prestar socorro quando necessário. Dessa forma, pouco a pouco o Brasil caminha-rá para ser um país de mais amor e paz.