Feminicídio no território brasileiro
Enviada em 03/10/2022
O feminicídio é a máxima expressão do machismo e está pautado na objetificação da mulher que é vista como propriedade masculina devendo, portanto, ser submetida às suas vontades. Para Simone de Beauvoir “a humanidade é masculina e o homem define a mulher não em si, mas relativamente a ele; ela não é considerada um ser autônomo.” Logo, a descontrução do feminícidio requer reformulações sociais relacionadas aos papéis de gênero.
Em primeira análise, é necessário considerar causas para o alto índice de feminicídios no país. Dados de 2021, do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, mostram que em média uma mulher foi assassinada a cada sete horas no país. Fatores como a organização social por meio de sociedades patriarcais nas quais a mulher é vista como propriedade e, assim, reforçam a ideia de que enquanto propriedade masculina estas não têm o direito de finalizar um relacionamento e quando o fazem merecem a punição relativa à sua desobediência. Diante disso, a violência de gênero é perpetuada como comportamento social.
Deve-se ressaltar ainda que a violência contra a mulher também está relacionada à desigualde de direitos. Os direitos femininos passam a ser defendidos a partir da organização social de mulheres no movimento feminista, entretando mesmo com a luta do movimento, a sociedade ainda é marcada pela desigualdade de gênero. Conforme o Fórum Econômico Mundial, em 2019 o Brasil ocupava a 92ª posição em igualdade entre homens e mulheres num universo de 153 países. As mulheres brasileiras estão sub-representadas na política, têm remuneração menor, sofrem mais assédio e estão mais vulneráveis ao desemprego. Dessa forma, a atuação do estado em defesa das mulheres é essencial para a conquista de direitos.
Logo, a fim de reduzir casos de feminicídio é preciso uma atuação conjunta do governo nas esferas educacionais e de comunicação. A partir das redes sociais oficiais, de propagandas e de programas televisivos e de rádio o governo deve trabalhar diariamente a ideia da mulher enquanto um indivíduo de direitos a fim de descontruir a imagem objetificada presente na sociedade brasileira. Dessa maneira, a mulher poderá, enfim, ser considerada um ser autônomo.