Feminicídio no território brasileiro

Enviada em 26/09/2022

Segundo Lilia Schawarcz, antropóloga brasileira, existe uma política de eufemismo no Brasil, ou seja, determinados problemas tendem a ser suavizados e não recebem a atenção necessária. Nessa lógica, vale a pena destacar o aumento do feminicídio no território brasileiro como uma questão ignorada. Sendo assim, é válido analisar a negligência governamental e a desinformação populacional.

Primordialmente, é fulcral ressaltar a inoperância estatal como um agente do revés. Isso decorre de que, assim como pontuou o economista americano Murray Rothbard, uma parcela dos governantes, ao se orientar por um viés individualista, negligencia a conservação de direitos sociais indispensáveis, como a segurança. Desse modo, devido à ausência de políticas públicas voltadas para o investimento na proteção do público feminino no âmbito nacional, criou-se um ambiente propício para o aumento dos casos de assassinatos contra as mulheres. Logo, é notório que a omissão do Estado perpetua o problema.

Outrossim, há uma evidente desinformação da sociedade acerca de como combater a violência contra a mulher. Nesse contexto, é evidente a grande importância das informações sobre como denunciar casos de agressão, haja vista que a falta delas agrava o quadro de mulheres que sofrem de violência no Brasil, proporcionando uma sensação de insegurança na parcela feminina. Nesse sentido, o filósofo Platão narrou o “Mito da Caverna”, no qual homens, acorrentados em uma caverna, viam somente sombras na parede, acreditando que aquilo era a realidade do mundo. Dessa forma, em uma situação análoga à metáfora abordada, os brasileiros, sem acesso aos conhecimentos acerca de como fazer denúncias contra casos de agressão, vivem na escuridão.

Portanto, o Ministério Público - órgão responsável pela defesa dos interesses sociais - deve, por meio de fiscalização da aplicação dos poderes estatais, pressionar o Estado no que se refere ao aporte em investimento na segurança da mulher, a fim de que os casos de feminicídios sejam erradicadas do cenário nacional. Somado a isso, é preciso haver uma preparação dos estudantes, por intermédio de palestras, com o objetivo de informar os alunos sobre como identificar e denunciar casos de violência contra a massa feminina.