Feminicídio no território brasileiro
Enviada em 27/09/2022
A série “O conto da Aia” expõe um futuro em meio aos caos, na qual rege um governo totalitário. Sob esse regime, as mulheres, por lei, são ausentadas dos privilégios sociais e submetidas à morte e torturas ao se rebelarem. Afastando-se da esfera ficcional. nota-se uma realidade não distinta, na medida que milhares continuam sendo vítimas de feminicídio no território brasileiro, cenário raizada na desigualdade de gêneros e na escassez de apoio comunitário.
Em uma primeira análise, é importante citar que a desigualdade de gênero injetada na sociedade contemporânea encaminha-se desde as construções dos aspectos culturais e históricos. Durante o período colonial no século 19, por exemplo, as mulheres negras - já oriundas da minoria-, eram prefixadas à funções domésticas e ao domínio do seus patriarcas. Enquanto, por outro lado, cabia aos homens o poder de governar e orientar as disputas judiciais. Assim, historicamente, a percepção do gênero masculino foi e continua sendo associado à uma classe de superioridade na pirâmide social. Consequentemente, a visão misógino, por sua vez, é considerado justificável para o ato de feminicídio.
Além disso, é notório expor a escassez de apoio comunitário em casos decorrentes de feminicídios. De acordo com a consciência coletiva, conceito criado por Emilie Durkheim, aqueles que fazem parte de uma determinada comunidade partilham dos mesmos sentimentos. Sob essa lógica, à medida que a consciência coletiva é fragmentada por acontecimentos sociais, isto é, a constante desumanização das vítimas de feminicídio, ocorre o aumento da comoção geral. Porém, nesse quadro, os casos, particularmente daqueles que pertencem a classe das minorias, ganham pouco destaque na mídia e aos poucos perdem o lugar de debate central, gerando a escassez de apoio comunitário.
Portanto, é perceptível os fatores que fortalecem a raiz do feminicídio no Brasil. Sendo assim, os municípios locais deverão, por meio de orças governamentais, investir em delegacias especializadas no combate de feminicídio, oferecendo pronto atendimento de 24 horas e professionais de saúde equipadas. Cabe, ainda, o apoio da mídia em alertar a população sobre os casos e informá-los dos meio de denúncia. Dessa forma, poderão se distanciar da distopia da série “O conto de Aia”