Feminicídio no território brasileiro
Enviada em 28/09/2022
Em 1936, depois de quinze dias a bordo do RMS Alcântara, o dramaturgo austríaco Stefan Zweig chega ao Brasil. Bem recebido e impressionado com o potencial da nova casa, Zweig escreceu um livro cujo título é até hoje repetido: “Brasil, país do futuro”. Contudo ao observa o feminicídio no território brasileiro, percebe-se que a profecia não saiu do papel. Esse cenário se deve, principalmente, à inoperância estatal e à cultura machista enraizada na sociedade.
A princípio, a ineficiência do Estado impede a mitigação do entrave, ao passo que a negligência e a omissão por parte do sistema judicial, infelizmente, contribuem para o avanço da violência contra mulheres no território brasileiro. Nessa óptica, a feminista Garita, em comunicação na ONU, atribui ao Estado a responsabilidade de preveni-lo e combatê-lo, por considerá-lo um crime de , pois os direitos violados são direitos fundamentais. Tal situação indica, portanto, a falta de interesse político do Poder Público em tomar providências definitivas para combater a violência contra as mulheres, pois, em muitas ocasiões, a inoperância estatal facilita a violação dos direitos femininos e a consumação dos feminicídios.
Nesse viés, é notório a manutenção do machismo afincado na nação verde e amarela. Tal fato, foi teorizado pela, brilhante, filósofa Hanna Arendt, quando postulou a banalidade do mal, aquele visto como cotidiano, corriqueiro. Esse fato pode ser comprovado com os altos indíces de feminicídio que atingem uma sociedade marcada pela desigualdade de gênero e por construções históricas, culturais, econômicas, políticas e sociais discriminatórias.
É fundamental, portanto, modificar o cenário atual. Nesse sentido, o Poder Público juntamente com as comarcas dos Estados brasileiros promover a capacitação de profissionais destinados a casos de mulheres violentadas, a humanização do atendimento é essencial, para permitir à mulher ter o apoio e a força necessários e lutar contra essa mazela social. Dessa maneira observar-se-ia uma nação tal qual
Stefan Zweig um dia acreditou.