Feminicídio no território brasileiro

Enviada em 28/09/2022

A pintura “O Grito”, de Edvard Munch, retrata, por meio de uma figura andrógena, as angústias vividas pela sociedade. Hodiernamente, tais angústias estão refletidas no aumento dos casos hediondos cometidos contra as mulheres, designados como feminicídio. Tal realidade se dá pela indiligência governamental, juntamente com a falta de debate acerca do tema.

Primeiramente, destaca-se a inoperância do governo no que tange em garantir a segurança das mulheres. Segundo a “Teoria da Percepção Coletiva”, de Émile Durkheim, o fato social se divide em normal e patológico. Nesse sentido, o Estado está em âmbito patológico, em crise, uma vez que, mesmo com a criação da lei que classifica o feminicídio como crime grave, falha em designar meios que garantam o cumprimento dessa lei, como o pouco investimento em delegacias da mulher, que, segundo dados da revista Veja, não está presente em 90% das cidades brasileiras. Logo, sem que haja o interesse do governo, se faz impossível que a seguridade das mulheres seja realidade.

Ademais, a pouca divulgação sobre o crescente aumento de homicídios femininos representa outro desafio. De acordo com pesquisas do site G1, no Brasil, uma mulher é morta a cada seis horas, e grande parte das violentadas não denunciam seus agressores. Conforme a psicanálise, isso acontece pelo fato de que são poucos os casos debatidos na mídia, o que leva as vítimas a acreditarem que estão desamparadas. Consequentemente, com a falta de discussão acerca da temática, os casos de feminicídio tendem a continuar crescendo.

Portanto, é imprescindível que o poder público crie políticas públicas com o fito de garantir a segurança das mulheres, por meio de implantação de delegacias especializadas em todas as regiões do país, assim facilitando as denúncias e observando o cumprimento da lei contra o feminicídio. Além disso, a mídia deve divulgar casos de crimes contra as cidadãs, as instruindo em como identificar as agressões. Só assim essas angústias se extinguirão.