Feminicídio no território brasileiro
Enviada em 29/09/2022
Na Grécia Antiga, na cidade de Atenas, a mulher tinha o papel de cuidar da casa e dos filhos, de modo que não eram nem consideradas cidadãs. Em concordância a tal fato, historicamente a mulher ocupa uma posição social inferior a do homem, de forma que este se sente na posse daquela e livre para fazer o que quiser com ela, como violentar e até matar. Assim, torna-se pertinente abordar a cultura de subserviência feminina em relação ao masculino e o constante estado de alerta das mulheres como causa e consequência, respectivamente, do feminicídio no Brasil.
A princípio, é válido discorrer a cultura de inferiorização da mulher perante o ho-mem como uma motivação para casos de homicídios femininos no país. Nesse sen-tido, desde o Brasil Colônia até o século XIX era legal um homem executar uma mu-lher adúltera pelo argumento de defesa da honra. Isso demonstra que a sociedade brasileira nasceu com uma cultura de ter a mulher como subserviente ao homem e este praticamente dono da vida dela, de modo que tinha até o respaldo legal para matá-la. Com efeito, mesmo com o fim dessa lei, resquícios dessa prática ainda se encontram e mulheres continuam a morrer pelas mãos de um homem. Logo, nota–se que a visão do feminino inferior ao masculino motiva o feminicídio no Brasil.
Além disso, é mister explorar o permanente estado de defensiva da mulher na sociedade, oriundo dos índices de violência feminina no país. Nessa perspectiva, a escritora francesa Simone de Beavoir afirma: “Não se nasce mulher, torna-se mu-lher”. Essa frase resplandece que ser mulher é muito mais um estado de espírito do que um gênero propriamente dito, uma vez que ser mulher consiste em enten-der que diariamente terão “batalhas” a serem enfrentadas e uma delas é o femini-cídio. Por isso, ser mulher é sempre pensar adiante, viver em estado de alerta em relação a alguma possível ameaça. Destarte, entende-se que o feminicídio brasilei-ro contribui com uma constante atenção das mulheres quando em sociedade.
É profícuo, portanto, que medidas sejam tomadas para atenuar o óbice em tese. Cabe, então, às escolas e às famílias, desconstruírem a cultura supracitada, por meio de uma educação baseada na equidade de gêneros, com oficinas lúdicas sem hierarquias e divisão igualitária de afazeres domésticos, para que se diminua o fe-minicídio no Brasil. Dessarte, as mulheres não serão mais vistas como em Atenas.