Feminicídio no território brasileiro

Enviada em 01/10/2022

Na série da Netflix “Coisa mais linda”, Augusto é um político que, com medo de perder a bela e cobiçada esposa, a violenta regularmente em casa. Fora das telas, o feminicídio, expressão fatal destas violências domésticas, atingiu o número de cinco mil mortes no ano de 2013, segundo Mapa da Violência. Tais manifestações, são frutos de uma sociedade patriarcal que, por consequência de seus aspectos históricos, normaliza relacionamentos abusivos e comportamentos problemáticos como o de Augusto.

Diante desse cenário, é válido retomar os aspectos sociais que contribuem para a violência contra a mulher. Nesse contexto, é possível citar a frase da atriz Emma Watson: “Se não se obriga um homem a acreditar que precisa ser agressivo, a mulher não será submissa. Se não se ensina a um homem que tem de ser controlador, a mulher não será controlada” - ou seja, a violência contra a mulher deve-se majoritariamente ao cultivo de uma cultura patriarcal que ensina os meninos, desde a infância, a se tornarem futuros agressores.

Nota-se portanto, a principal consequência de um regime social baseado em ideologias machistas, em que o homem desfruta de uma posição de poder, enquanto a mulher é relegada a submissão: a normalização de relacionamentos abusivos. Segundo dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, 81,5% dos assassinos eram companheiros ou ex-companheiros. Desta forma, o homem que foi criado de forma misógina, vê-se livre para cometer abusos psicológicos e físicos contra a parceira. Por conseguinte, quando o agressor se depara em uma situação em que a hierarquia entre o casal foi rompida, ele manifesta a violência na sua forma mais fatal, através do feminicídio.

É notório, logo, a necessidade de discutir medidas que impessam as causas da violência contra a mulher. Dentre elas, faz-se essencial a implementação de projetos escolares nas áreas de Ensino Religioso e Educação Física, por parte do Instituto Maria da Penha em parceria com escolas públicas e particulares, em que os alunos desenvolvem atividades sobre respeito, igualdade de gênero e consentimento. Criando crianças conscientes e feministas, estaremos lutando não só contra a violência, mas pelo fim do sistema patriarcal.