Feminicídio no território brasileiro

Enviada em 05/10/2022

Na obra “Utopia”, do escritor inglês Thomas More, é retratada uma sociedade perfeita, na qual o corpo social padroniza-se pela ausência de conflitos e proble- mas. No entanto, o que se observa na realidade contemporânea é o oposto do que o autor prega, uma vez que o feminicídio apresenta barreiras, as quais dificultam a concretização dos planos de More. Esse cenário antagônico é fruto, tanto do medo de denunciar, quanto da cultura do machismo.

Em primeira análise, deve-se ressaltar a ausência de medidas governamentais para combater o feminicídio no Brasil. Nesse sentido, o medo sentido pela mulher que sofre violência, muitas vezes, impede que ela denuncie, o que poderia evitar violências futuras que pode chegar ao óbito da vítima. Essa conjuntura, segundo o filósofo John Lock, configura-se como uma violação do “contrato social”, já que o Estado não cumpre seu dever de garantir que os cidadãos desfrutem de direitos indispensáveis.

Ademais, é fundamental apontar a cultura do machismo como impulsionadora dessa violência no território brasileiro. No século 19, era lícito o homem casado assassinar a esposa que cometesse adultério. Diante de tal exposto, após 2 sécu-

los, muitos relacionamentos terminam em morte, pois muitos homens ainda se sentem no direito de tirar a vida de suas companheiras. Logo, é inadmissível que esse cenário continue a perdurar.

Depreende-se, portanto, a necessidade de se combater esses obstáculos. Para isso, é imprenssindível que o Estado, por intermédio de palestras educativas, ex-

ponha os riscos que a mulher está exposta ao não denunciar a violência e que ela estara segura ao fazer isso, a fim de evitar que mais mortes motivadas por “amor” e “paixão” continuem a acontecer. Desse modo, atenuar-se-á em médio e longo prazo o impacto nocivo dessa violência.