Feminicídio no território brasileiro

Enviada em 07/10/2022

Lutas e limitações marcam a história do Brasil. Da colonização à miscigenação, da exploração aos costumes impostos, o país registra percalços de um povo que se construiu em uma base histórica distorcida. Hoje, a antiga terra Tupiniquim avança rumo ao progresso, todavia, é preciso superar mazelas, como o feminicídio, formentado pelo individualismo e pela banalidade do mal.

É válido destacar, a princípio, que o individualismo existente em grande parte da sociedade pode ser evidenciado como um problema que impede a resolução dos casos de feminicídio no território brasileiro. Nesse sentido, segundo o filósofo Zygmunt Batman, em sua tese “Modernidade Líquida”, a contemporaneidade é marcada pela volatilidade das relações humanas: a fragmentação dos laços afetivos e individualismo. Sob esse viés, ressalta-se que a passividade coletiva, perante o feminicídio, demonstra a realidade bauniana. Isso acontece, porque, infelizmente, muitos indivíduos - preocupados com seus desejos pessoais e laborais - não se preocupam com o que acontece ao seu redor. Desse modo, a irresponsabilidade cidadã compromete a harmonia social.

Além disso, conforme o conceito de “Banalidade do Mal”, trazido pela filósofa Hannah Arendt, quando uma atitude hostil ocorre constantemente, a sociedade passa a vê-la como banal. Dessa forma, isso evidencia a irracionalidade em relação á pouca importância dada aos feminicídios no país, configurando a trivialização da maldade que para Arendt, ocorre quando há falta de reflexão sobre os males ao redor dos indivíduos. Nessa perspectiva, percebe-se que a população normalizou esse imbróglio. Como consequência, isso tem gerado a perpetuação da problemática, bem como dramatizado na série “Pacto Brutal: O Assassinato de Daniella Perez”, série documental sobre a morte da jovem atriz pelas mãos de seu colega de cena, Guilherme de Pádua.