Feminicídio no território brasileiro
Enviada em 16/10/2022
Observa-se que muitas discussões têm ocorrido acerca do feminicídio no Brasil. Isso acontece devido ao individualismo e à negligência governamental; fatos que culminam em preocupantes mazelas. Desse modo, é imprescindível refletir e intervir em tais problemáticas em prol da plena harmonia social.
Efetivamente, segundo o filósofo Zygmunt Bauman, em sua tese “Modernidade Líquida”, a contemporaneidade é marcada pela volatilidade das relações sociais: a fragmentação dos laços afetivos e o individualismo. Isso acontece, infelizmente, porque muitos indivíduos - preocupados com seus desejos pessoais - não se importam com os direitos alheios. Assim, por serem autocentrados, pensam só na felicidade dele e não a do outro. Neste sentido, o feminicídio ocorre, já que, quando o agressor se depara que seus desejos pessoais não são correspondidos, podem usar formas violentas para terminar com a sua dor e subtrair, logo, o direito do outro: da mulher. Deste modo, o homicídio gera uma cultura violenta, que preconiza somente os próprios sentimentos em detrimento da felicidade de todos.
Além disso, “Nas favelas, no senado/sujeira pra todo lado/ ninguém respeita a Constituição, mas todos acreditam no futuro da nação.”. De maneira análoga ao denunciado na música da banda Legião Urbana, a omissão governamental impede a construção de um ser voltado para a sociedade, principalmente, quando prepara ele para o mercado em vez de um cidadão ético e maduro para os desafios sociais. Deste modo, sob o viés financeiro, as pessoas não veem outras como sujeitos, mas como mero objetos para sua satisfação pessoal e/ou para alcançar seus fins, favorecendo, logo, a visão do feminino como uma posse e o feminicídio como a solução quando suas projeções não são realizadas.
Portanto, faz-se necessário que o Estado, por intermédio do Ministério da Educação, promova a valorização de disciplinas das ciências sociais, como filosofia, psicologia e sociologia, o que pode ser feito por meio do incremento nos currículos das instituições educacionais, a fim de construir sujeitos éticos e maduros, preparados para contribuir e respeitar a felicidade e a autonomia do outro.