Feminicídio no território brasileiro
Enviada em 19/10/2022
O quadro expressionista “O grito”, do pintor norueguês Edvard Munch, retrata a inquietude, o medo e a desesperança no semblante de um personagem envolto por uma atmosfera de profunda desolação. Para além da obra, observa-se que, na conjuntura brasileira contemporânea, o sentimento de milhares de indivíduos assolados pelo feminicídio no Brasil é, amiudadamente, semelhante ao ilustrado pelo artista. Nesse viés, torna-se crucial analisar as causas desse revés, dentre as quais se destacam a negligência governamental e a alienação social.
A princípio, é notório que a indiligência do Estado é um grave problema. Esse contexto de inoperância das esferas de poder exemplifica a teoria das Instituições Zumbis, do sociólogo Zygmunt Bauman, que as descreve como presentes no sociedade, todavia, sem cumprirem sua função social com eficácia. Sob essa ótica, devido à baixa atuação das autoridades, a situação problema continua a persistir. Nessa perspectiva, para a completa refutação da teoria do estudioso polonês e mudança dessa realidade, faz-se imprescindível uma intervenção estatal.
Além disso, a passividade social corrobora na permanência deste obstáculo. Posto isso, a afirmação da filósofa francesa Simone de Beauvoir, “O mais escandaloso dos escândalos é que nos habituamos a eles” pode facilmente ser aplicado na questão do assasinato de mulheres, já que mais escadalosa do que a ocorrência dessa problemática é o fato da população se habituar a essa realidade. Diante de tal exposto, fica evidente que grande parcela da populaçõa é alienada. Logo, é inadmissível que este cenário continue a perdurar.
Portanto, são necessárias medidas capazes de mitigar o feminicídio no território brasileiro. Dessarte, é preciso que o Governo aumente a punição e as fiscalizações desse crime, por meio dos órgãos responsáveis pela segurança pública, para, assim, as mulheres serem realmente protegidas contra este delito. Espera-se, desse modo, que os sofrimentos emocionais retratados por Munch delimitem-se apenas ao plano artístico.