Feminicídio no território brasileiro
Enviada em 25/10/2022
Na comédia “Eu não sou um homem fácil”, da Netflix, o protagonista Demian tem sua vida invertida ao acordar em uma realidade paralela matriarcal. Na trama, os papéis são trocados e assim Demian passa a sofrer os constantes desafios vividos pelas mulheres do mundo real. Diante disso, torna-se imperioso destacar o machismo estrutural e a cultura do silenciamento como principais causas do embate, o que demanda ação pontual.
Nessa perspectiva, vale ressaltar que o coletivo tupiniquim é marcado pelo machismo, o qual vê o homem como superior às mulheres, o que, por vezes, se torna uma espécie de “justificativa” para a violência e homicídio praticados. Acerca disso, o portal de notícias G1 divulgou recentemente o caso de uma mulher que foi morta a tiros pelo ex-companheiro na porta de sua casa. No entanto, infelizmente, casos como o mencionado tornaram-se cotidianos na sociedade, em virtude da objetificação feminina - na qual os homens se vêem como “donos” dessas - e do machismo enraizado e perpetuado na nação. Como efeito, tal parcela é acometida de ameaças, perseguições e agressões, em razão do término ou da tentativa de rompimento, além do desenvolvimento de transtornos e doenças.
Somado a isso, observa-se que a cultura do silenciamento entre as vítimas também é fator agravante da questão. Nesse contexto, faz-se medular o discurso da filósofa Hannah Arendt, a qual afirma que no cenário atual o mal se tornou banal entre os indivíduos. Sendo assim, tal banalidade junto ao silêncio feminino atuam como combustíveis para a persistência e expansão do feminicídio. Consequ-entemente, existe a permanência das vítimas nos relacionamentos - sob condições de violência física e psicológica - e a normalização desses comportamentos.
Diante disso, cabe ao ao Estado, em razão de seu poderio de influência nacional, realizar, por meio do Ministério da Educação (MEC), a inserção de pautas sociais de equidade de gênero no currículo escolar básico, com o objetivo de romper estereótipos e estigmas machistas perpetuados, o que minimizará, a longo prazo, as taxas de feminicídio, visando quebrar o ciclo da cultura do silêncio, o que trará justiça às vítimas.