Feminicídio no território brasileiro
Enviada em 28/10/2022
O sociólogo John Stuart Mill, foi um pensador utilitarista defensor da igualdade de gênero em um contexto histórico de opressões institucionalizadas à figura da feminina. Diante disso, a desigualdade de gênero, amplamente difundida no Brasil, culminou em uma onda crescente de feminicídios no país. Dito isso, a disparidade de oportunidades vinculadas à organização social e falhas no âmbito da qualidade de vida são questões relevantes.
Primarimente, o caráter institucional de desoportunização entre os gêneros tem origem no século 19. Sob esse aspecto, a teoria do “Organicismo” do sociólogo Norbert Elias, explica como a sociedade funciona de maneira análoga a um organismo vivo. As esferas sociais, portanto, organizaram-se de maneira a esvair o potencial feminino, reduzindo-o, e, consequentemente, implantando no imaginário coletivo a ideia de submissão atrelada à mulher, que, por sua vez, encara sua existência como um iminente incentivo à agressão, tanto física, como social. Desse modo, mudanças a respeito desse cenário adquirem caráter urgente.
Ademais, a construção social do Brasil ao longo dos anos não permitiu a plena consciência das mulheres em relação à seguridade como indivíduo. Sob esse viés, a socióloga Hannah Arendt, em sua teoria da “Cidadania Amputada”, evidencia o impacto da falta da garantia de direitos básicos ao ser humano. A insegurança, dessa forma, no que tange o convívio social harmônico, interfere diametralmente na vida da mulher, que se encontra imersa em um campo social completamente desfavorável aos seus anseios. Alterações institucionais, a partir disso, são estritamente necessárias.
Por fim, tendo conhecimento acerca do problema, o governo deve articular, com deputados federais, a implementação de projetos de lei que visem a inserção de mulheres nos espaços acadêmicos, com o objetivo de atenuar as desigualdades por meio da educação, e, desse modo, contribuir para uma sociedade mais justa. O governo deve, por conseguinte, ampliar, por meio do Ministério da Infraestrutura, o número de delegacias da mulher ao redor do Brasil, construindo unidades que tenham tecnologia de ponta, a fim de combater o feminicídio de forma incisiva, garantindo a seguridade como indivíduo, idealizada por Hannah Arendt.