Fome e desigualdade social no século XXI
Enviada em 21/10/2019
A teoria populacional Malthusiana explicitava que a grande problemática populacional se dava porque a população crescia exponencialmente, enquanto o alimento crescia de forma linear. Com isso, justificou a escassez de alimento e a fome no mundo. Atualmente já se sabe a invalidez de sua teoria, porém, o problema da fome continua a persistir. Uma vez que a desigualdade social é o fator principal que garante a permanência dessa situação no cenário mundial, há uma grande necessidade de os setores públicos levantarem discussões sobre formas possíveis para erradicar esse mal, já que a falta de alimento não é o problema e, sim, a sua má distribuição.
Em primeiro lugar é possível perceber o grande impacto causado pela Revolução Verde no campo. Com os avanços da biotecnologia e engenharia genética, foi possível, não apenas ampliação da produção, mas também melhoria na qualidade dos alimentos. Porém, apesar de essa revolução ter surgido com o intuito de acabar com a fome no mundo, sabe-se que isso não aconteceu, graças à desigualdade social que impede o acesso ao alimento por grande parte da população mundial. Uma vez que os países com os maiores índices de fome foram colonizados no passado, não há como negar que a exploração de recursos naturais e da população garantiu essa enorme desproporcionalidade de distribuição de recursos, que garante permanência da situação de fome no mundo.
De forma análoga, a concentração fundiária e a mecanização do campo podem auxiliar para o aumento do índice da população que vive com a problemática da fome. No Brasil, em 1850, a “Lei de Terras" possibilitou a compra de terras, porém, apenas os próprios donos de propriedades conseguiram realizá-la, graças aos altos custos, o que promoveu grande concentração e impediu aquisição por parte das parcelas mais pobres da sociedade. Já a mecanização do campo garante enorme desemprego estrutural, uma vez que as tecnologias descartam a mão de obra que . Apesar de, no Brasil, a Reforma Agrária ser garantida na Constituição Federal, a redistribuição de terras improdutivas não ocorre.
Logo, é inegável que a desigualdade é fator responsável pela fome no mundo. Dessa forma, cabe ao Judiciário assegurar a Constituição, realizando a Reforma Agrária, para permitir que pessoas possam realizar sua subsistência em terras que permanecem sem função social.Além disso, os Estados Nacionais, junto às ONGs, como a “Banco de Alimentos”, atuante no Brasil, podem garantir o não desperdício de alimentos, por meio da redistribuição de excedentes de restaurantes, empresas e domicílios, para que populações carentes também tenham seus direitos respaldados.Assim, contrapondo a teoria Malthusiana e aproximando-se de John Rawls, através do “véu da ignorância”, a equidade pode ser garantida de forma plena, amenizando, enfim, as desigualdades