Fome e desigualdade social no século XXI
Enviada em 10/03/2020
Na obra “Utopia”, do escritor inglês Thomas More, é retratada uma sociedade perfeita, na qual o corpo social padroniza-se pela ausência de problemas. No entanto, o que se observa na realidade contemporânea é o oposto do que o autor prega, uma vez que a fome mundial no século XXI apresenta barreiras, as quais dificultam a concretização dos planos de More. Esse cenário antagônico é fruto tanto de um capitalismo mal estruturado nos países subdesenvolvidos, quanto da deslealdade do mercado globalizado, no que tange o exacerbado acúmulo de riquezas.
Precipuamente, é fulcral pontuar que a precariedade na alimentação dos países pobres deriva da baixa atuação dos setores governamentais, no que concerne à criação de mecanismos que coíbam tais recorrências. Segundo o pensador Thomas Hobbes, o estado é responsável por garantir o bem-estar da população, entretanto, isso não ocorre na atualidade. Devido à falta de atuação das autoridades, as pessoas mais ricas dos países subdesenvolvidos concentram quase a totalidade das riquezas acumuladas, esse episódio gera uma pobreza crônica generalizada, pois o fato de acumularem grandes somas dinheiro acarreta num poder centralizado, o que leva os afortunados a negociarem impostos e pagarem baixos salários, os quais são insuficientes para os trabalhadores sustentarem suas famílias.
Ademais, é imperativo ressaltar a exploração dos países desenvolvidos como promotora do problema. De acordo com a ONU (Organização das Nações Unidas), em 2016, 65% dos alimentos encontrados na mesa dos habitantes de países desenvolvidos são produzidos por países pobres . A partir desse pressuposto, os ricos importam o provimento que poderia sanar as necessidades dos locais onde são produzidos e exportam, para os pobres, tecnologia com alto valor agregado . Tudo isso retarda a resolução do empecilho, já que o mercado internacional desleal contribui para a perpetuação desse quadro deletério.
Assim, medidas exequíveis são necessárias para conter o avanço da problemática na sociedade. Dessarte, com o intuito de mitigar a fome mundial, necessita-se, urgentemente, a criação de organizações internacionais de combate à pobreza extrema e que essas direcionem capital que, por intermédio da ONU, será revertido em ações, por meio da abertura de empresas de tecnologia agrícola para os países subdesenvolvidos poderem exportar seus alimentos e sanarem as suas necessidades internas. Também é de extrema importância o enrijecimento das leis que dão isenção de impostos aos ricos e a obrigatoriedade desses pagarem um salário justo aos seus empregados. Desse modo, atenuar-se-á, em médio e longo prazo, o impacto nocivo da subalimentação, e a coletividade alcançará a Utopia de More.