Fome e desigualdade social no século XXI
Enviada em 06/04/2020
Uma fotografia de Tuco Vieira na maior metrópole brasileira, São Paulo, expõe o contraste entre a favela de Paraisópolis e um condomínio luxuoso no Morumbi. Contudo, está imagem do convívio entre extremos, não reflete apenas uma realidade particular, mas escancara o contexto de desigualdade que assola o mundo. Uma vez que o capitalismo, com sua face imperialista, fundamenta-se na desigualdade social, sustentando a fome e a miséria. Além de existirem barreiras para a resolução desta triste situação.
Karl Marx em seus escritos estabelece o conceito de acumulação primitiva, o qual, em síntese, diz que na gênese do sistema capitalista ocorreu um processo de acumulação de capitais nas mãos de poucos, os capitalistas, sendo que tal prática teve apoio direto e fundamental do Estado. Este processo apresentado por Marx perdura até hoje, sendo intrínseco as ações dos países imperialistas. Sendo que estes fazem o envio de produtos, tal como alimentos básicos, de países de segundo e terceiro mundo, a preços baixíssimos, acumulando não só aquilo que é fabricado, mas também os capitais mundiais. Tendo como consequência direta uma relação de subserviência e a desigualdade no mundo, visto que as nações mais pobres tendem a ter indivíduos com menos poder aquisitivo, na maior parte de sua sociedade, e que pagam mais caro do que deveriam naquilo que é gerado no próprio país.
Ademais, como se não bastasse isso, diversas barreiras impendem a minimização dos problemas advindos da desigualdade e desta em si. A título de exemplo, pesquisas mostram que crianças com histórico de diarreias recorrentes, em consequência da falta de saneamento básico, em seus primeiros anos de vida, tendem a ter dificuldades cognitivas, afetando seu desempenho escolar e gerando a evasão. E, uma vez que sair da linha da pobreza e da fome já é algo difícil, sem escolarização, tudo se torna ainda mais complicado.
Portanto, como forma de mitigação dos fatos apresentados, os governos dos países não desenvolvidos devem fortificar os tratados existentes entre eles, tal como o BRICS, criando políticas de controle de preços para barrar o imperialismo dos países do primeiro mundo, combatendo,assim, a disparidade econômica, ao gerar autonomia política e financeira das nações e da população que nestas residem. Bem como, os governos dos países que sofrem com a desigualdade e a fome necessitam criar projetos de leis que estabeleçam metas a longo prazo para que todos tenham direito a necessidades básicas, como o saneamento essencial. Determinando valores a serem gastos anualmente no tocante a estas questões.Desta forma, será possível diminuir minimamente as barreiras que impendem que ocorram avanços na subtração da desigualdade social e erradicação da fome e da miséria no planeta.