Fome e desigualdade social no século XXI

Enviada em 26/04/2020

No documentário Ilha Das Flores, utilizando de metáforas, o diretor escancara a realidade em que vive a população de uma ilha de Porto Alegre, Rio Grande do Sul. Acometidos por extrema pobreza a população do curta-metragem se alimenta de restos da comida dada aos porcos. Paralelo ao filme, vê-se uma cultura de desperdício de alimento muito presente na sociedade brasileira. Todos os dias, pessoas não têm acesso à alimentação de qualidade, e precisam tirar sua própria comida do lixo ou de sobras. Políticas públicas de distribuição de alimentos são falhas e inconsistentes.

Primeiramente, é importante ressaltar a existência de uma Lei no código pena brasileiro, a qual esclarece que sobras de alimentos produzidos em um dia por certo estabelecimento, precisam ser descartados, não podendo ser distribuído entre funcionários ou doado aos mais necessitados. Pela falta de uma rede organizada e coerente de redistribuição, um pilhar essencial para a dignidade e sobrevivência humana, pode estar sendo negado aos mais necessitados.

A teoria do economista Thomas Malthus, a qual relaciona a produção de alimentos e o crescimento da população, pode ser trazida ao contexto atual. Seguindo a sua teoria, será chegado o dia, em que a escassez seja o principal motivo da desnutrição. É evidente, que com o uso desenfreado e desequilibrado de recurso naturais, a obtenção de alimentos vem se tornando cada vez mais custosa e não democrática. O alto custo é um fator determinante para saber quem receberá uma alimentação de qualidade e quem viverá à margem da desnutrição. O crescimento populacional também é um agravante de tal situação. Famílias numerosas construídas sem planejamento adequado, são frequentemente acometidas pela escassez de recursos alimentícios.

Haja vista tais fenômenos, é de exímia importância que medidas sejam tomadas para conter a fome no Brasil. Seria cabível, por meio do Poder Legislativo, a adequação de leis como a da redistribuição de alimentos, para que restaurante e comércio consigam alocar os alimentos sobressalentes, fazendo com que pessoas menos abastadas, tenham acesso à uma alimentação segura e de qualidade. Parcerias públicas privadas da ANVISA com as administrações de restaurantes poderiam ser eficientes na produção de refeições (marmitas), com custo de fabricação para pessoas comprovadamente de baixa renda. Não se pode admitir que a capitalização exorbitante e o desperdício de alimentos sejam pilares da desnutrição e da fome. Um país evoluído é aquele que garante os direitos básicos dos cidadãos.