Fome e desigualdade social no século XXI

Enviada em 29/04/2020

O filme “O poço” retrata um recorte ficcional da sociedade o qual critica a má distribuição de alimentos. Na trama, devido a alimentação limitada, os indivíduos passam por um processo de animalização. Fora das telas, a fome é um problema mundial e hodierno, sendo fruto de um descaso constitucional e de falhas nas políticas públicas. Por conseguinte, essa problemática deve ser debatida e solucionada.

A princípio, é fundamental analisar as falhas governamentais perante a Carta Magna. Nesse prisma, segundo a Constituição Federal de 1988, é dever do Estado garantir a dignidade do ser humano. Com isso, é função do governo criar métodos eficazes para reduzir o número de pessoas na condição de extrema miséria e diminuir, assim, as estatísticas da fome. No entanto, essas medidas governamentais ainda não são suficientes para suprir as necessidades populacionais, sendo necessários mais investimentos direcionamos ao combate da fome. Dessa forma, o contrato social proposto pelo filósofo Thomas Hobbes não está sendo efetivado.

Ademais, ainda é imprescindível ressaltar, para além das falhas governamentais, a má distribuição de alimentos. Nesse viés, de acordo com o economista Thomas Malthus, chegará um momento que a disponibilidade de alimentos será pouca para a carga populacional. Entretanto, a sociedade atual ainda não se encontra nessa realidade, visto que o problema atual da fome é consequência da má distribuição de renda, onde poucos têm acesso aos alimentos. Tangente a isso, a falta de projeto sociais prejudica, sobretudo, a condição alimentar de um grupo da sociedade, deixando-os a mercê da animalização do ser humano.

Infere-se, portanto, que a fome é um problema mundial e necessita de medidas intervencionais para soluciona-la. Desse modo, cabe ao Governo Federal cumprir com a Constituição, mediante o investimento em métodos para sanar a fome, para que assim o contrato social seja de fato efetivado. Concomitantemente, urge que a Organização das Nações Unidas (ONU) crie planos para reduzir a desigualdade econômica, por meio de assembleias entre os representantes dos países, assim procurando uma forma de amenizar a discrepância de acesso à alimentação. Só assim, garantindo que o cenário presente no filme fique limitado à ficção.