Fome e desigualdade social no século XXI
Enviada em 16/05/2020
“A tontura do álcool nos impede de cantar. Mas a fome nos faz tremer. Percebi que é horrível ter só ar dentro do estômago”. A frase da memorável escritora Carolina Maria de Jesus está presente em seu livro Quarto de Despejo, publicado pela primeira vez em 1960. O seu livro ilustra precisamente a realidade de milhões de brasileiros que também sofrem com a fome decorrente da desigualdade social. Toda essa problemática é gerada pela má distribuição de riquezas que fez com que o país retornasse para o mapa da fome.
O mapa da fome não contabiliza somente aqueles que não possuem meios de se alimentar, mas também os que utilizam de alimentos pobres em nutrientes para se manter, os chamados subnutridos. A subnutrição ocorre por causa do aumento constante no preço de produtos alimentícios portanto, para uma mãe que conta somente com a quantia de um salário mínimo (ou bem menos) para manter a si e a sua família é bem melhor comprar 20 pacotes de macarrão instantâneo e biscoitos recheados do que alguns quilogramas de alguma verdura ou fruta, por serem comidas que trazem uma sensação de saciedade por mais tempo, o que diminui o número de refeições ao dia.
Não é novidade que a desigualdade social permeia a nossa sociedade e que ela é o principal motivo da fome e subnutrição no país, afinal a maioria das riquezas está concentrada nas mãos de poucas pessoas o que é destacado no estudo realizado pela ONG britânica Oxfam que mostrou que 46% dos recursos estão no domínio dos ricos ( que representam uma parcela mínima da população).
Portanto, cabe ao Ministério da Saúde, órgão responsável por dispor de condições para a proteção e recuperação da saúde da população, intervir por meio de ações humanitárias garantindo que as pessoas que se encontram nessa situação de pobreza, tenham seus direitos assegurados e possam se ver livres dessas dificuldades e tenham melhores condições de vida.