Fome e desigualdade social no século XXI
Enviada em 28/05/2020
De acordo com o teórico britânico David Harvey, o encolhimento do mundo, isto é, a aproximação de vínculos sociais à distância, fomentada pela globalização, contribui para a percepção de realidades diferentes. Isso se reifica pelo panorama da fome e desigualdade difundidos pelo mundo contemporâneo do século XXI, o que é de tal deleteriedade para com a numerosa parcela atingida. É possível afirmar que não só o modelo econômico predominante, mas também a negligência da ação dos governos, ambos contribuem para o satus vigente: uma discrepância social aliada com a desnutrição populacional.
Inicialmente, vale destacar um paradoxo: no auge da tecnicidade de produção e constatação que a a teoria de Thomas Malthus estava errada, sabe-se que existe alimento para o abastecimento mundial, desde que seja repartido racionalmente. Entretanto, conforme o relatório da ONU de 2019, mais de 800 milhões de pessoas estavam com certo grau de inanição. A priori, é inadmissível a atual conjuntura em função do progresso produtivo e de seu aprimoramento — isso tudo em prol do enriquecimento restrito incitado pelo capitalismo.
Ademais, é necessário realçar a inadimplência dos Estados em fornecer condições básicas para a população carente se desenvolver. Como afirma o sociólogo alemão Habermas, analogamente ao tema, não basta apenas considerar os indivíduos de um país como cidadãos, mas deve-se amparar estes a fim de que os próprios sejam identificados como tal. Portanto, a partir desse ponto de vista, fica visível a escassez de certa diligência em relação aos componentes de cada país: o povo.
Destarte, é dever do Estado, aliado com ONGs de cunho humanitário, abrandar as diferenças e a voracidade por intermédio de auxílios mensais que garantam o básico de subsídio — as cestas básicas — , além de uma atuação interna de agentes nas comunidades carentes que favoreçam o lazer e contribuam para a inserção desta nas regalias sociais. Espera-se, com isso, não só uma efetiva melhoria das relações sociais, o que se sobrepões às exclusões, como também a atenuação dos problemas desencadeados pela carência de elementos básicos da alimentação.