Fome e desigualdade social no século XXI

Enviada em 08/06/2020

O filme “O Poço”, exibe de forma excepcional a realidade da fome e da desigualdade social como duas coisas relacionadas. Enquanto pessoas mais privilegiadas têm acesso a uma abundância de alimento e outros recursos, as mais marginalizadas passam fome. Dessa forma, a narrativa do filme não destoa da realidade brasileira, na qual a população ocupa níveis sociais muito desiguais e uma parte considerável vive em situação de extrema pobreza, passando fome, e submetidas a más condições de saúde e moradia, proveniente de um sistema econômico injusto que propicia a desigualdade entre classes. Portanto, algo deve ser feito para mudar esse quadro do país.

De acordo com o sociólogo Josué de Castro, autor do livro “Geografia da Fome”, a desnutrição não é um fator natural. “Fome não obedece a qualquer lei natural, são criações humanas”, ou seja, por meio dessa fala o autor busca desconstruir a ideia de que a má alimentação é algo normal e que sempre existiu. Contudo, visto que as pessoas subnutridas são aquelas que ocupam um nível social mais baixo, a desiguladade social, proveniente de uma má distribuição de riquezas, pode ser analisada como um fator determinante da carência nutricional de alguns brasileiros. Entretanto, tal discrepância social tem como causa um conjunto de agentes, um deles, de grande relevância, é a cobrança tributária injusta do Governo à população, que ocorre de forma desproporcional, na qual é cobrada mesma quantidade de imposto à pessoa que ganha cinco mil reais por mês e àquela que ganha cem mil.

Desse modo, tal desigualdade que afeta a população brasileira pode trazer consequências nocivas às camadas mais pobres da população, como falta de saneamento básico e precaridade de saúde e moradia, que mesmo sendo direitos não são disponibilizados aos indigentes. Além dessas, a fome é outra preocupante consequência da pobreza, que de acordo com Josué de Castro, pode ocorrer de várias formas dependendo da região. A forma Endêmica, que é permanente e afeta principalmente áreas mais pobres do país; a Total, que leva a inanição e posteriormente a morte; a Epidêmica, que é temporária e está geralmente ligada a cheias e secas de rios; e a Oculta, que segundo o sociólogo é a mais problemática, já que, como a pessoa se alimenta todo dia é mais difícil identificar.

Portanto, com o objetivo de diminuir a desigualdade social e a fome no Brasil, o Governo Federal e o Poder Legislativo devem, por meio de um projeto de lei, estabelecer uma cobrança tributária mais justa aos brasileiros, fazendo com que estes paguem impostos correspondentes e proporcionais ao seu salário. À luz disso, pessoas que recebem três mil reais devem ser insentos de impostos e pessoas que ganham acima de cem mil reais devem pagar quarenta por cento de sua renda. Desse modo, o Brasil será um país mais igualitário, que luta contra a desigualdade social e consequentemente contra a fome.