Fome e desigualdade social no século XXI

Enviada em 06/06/2020

No filme espanhol “O Poço” publicado pela Netflix em 2020, tem como narrativa uma torre vertical onde prisioneiros são confinados e apenas podem se alimentar dos restos de comida do nível de cima. A disparidade do luxo dos primeiros andares comparado a miséria dos últimos, retrata, apesar de ser considerada uma distopia, a realidade atual. No século XXI, a desigualdade social e a fome é um retrato da sociedade, desencadeado por fatores estruturais e políticas.

A principio, é possível perceber que essa circunstância se deve-se a questões estruturais. Durante toda formação de países do mundo, a concentração de renda e a pouca mobilidade social sempre foi um fato. Um exemplo disso é o sistema milenar de castras na índia, sendo hereditário, divido em grupos de diferentes hierarquias sociais sem possibilidade de ascensão e casamento entre grupos diferentes. Apesar de ter sido proibido em 1950, a disparidade social deixada pelo conjunto de leis é refletida no relatório Brookings: 70 milhões de pessoas vivendo em extrema pobreza na Índia. Apesar do aumento de políticas que vissem sanar esse problema a falta de distribuição de renda e educação de qualidade intensifica o lento processo de avanço.

Outrossim, vale ressaltar que essa situação é corroborada por fatores políticos. Em meados de 1870, o Darwinismo social surge tendo como principal ideia a evolução da raça, eliminando os inaptos, entre eles, negros e pobres. Vários países, incluindo o Brasil, foram adeptos dessa linha de pensamento que levou a marginalização dessas minorias, aumentando a desigualdade e a fome. Políticas publicas foram desenvolvidas com intuito de reverter as consequências históricas de políticas adotadas nos anos anteriores. Dentre elas no Brasil foi criado o Fome Zero, que visa combater a subnutrição em crianças, programa que em 2010 tornou o país no líder do ranking de progresso no combate a fome pela ONG ActionAid. Apesar disso, atualmente 7 milhões de pessoas passam fome de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), sendo evidente, portanto, que medidas ainda precisem ser tomadas afim de reverter essa mazelas.

Destarte, medidas que vissem combater a desigualdade e a fome são necessárias. Logo, é preciso de uma maior assiduidade de Orgãos internacionais, como a Organização das Naçōes Unidas, em regiões com históricos de disparidades sociais, afim de promover por meio de programas sociais, dando ênfase em combate a fome e uma melhor educação, tornar uma ascensão social na sociedade possível, levando assim uma maior igualdade, diferente do filme O poço.