Fome e desigualdade social no século XXI
Enviada em 15/06/2020
Consoante a Declaração Universal dos Direitos Humanos-DUDH-,é assegurado a todos o direito à alimentação e ao bem-estar social.Por conseguinte,referente ao Brasil,dados da PNAD 2011 (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios) mostram que houve diminuição dos índices de pobreza e de desigualdade social.Entretanto,na prática,a realidade apresentada não demonstra essa estatística positiva,haja vista que,no país,ainda existem abismos sociais notórios.Nesse viés,a desigualdade social e a fome no século 21 podem ser analisados por meio de uma perspectiva de causa e consequência.
Cabe ressaltar,a princípio,a hodierna ordem mundial vigente - o capitalismo.Nesse sentido,de acordo com o sociólogo Karl Marx,as desigualdades econômicas e sociais provém desse sistema de obsessão pelo lucro,o qual torna o capital e suas particularidades sobressalente das necessidades coletivas do corpo social.Paralelo a isso,o livro “Quarto de despejo”,escrito por Carolina Maria de Jesus,demonstra as disparidades geradas por essas desigualdades provenientes,sobretudo,dessa ordem ao retratar a sua vida no âmbito da favela.Dessarte,essa obra elucida,fielmente,a má distribuição de recursos na sociedade,evidenciando a falta de acesso a direitos básicos como saneamento,água potável,saúde pública e acesso à alimentação adequada.Desse modo,demonstra-se que a morosidade estatal nesse cenário coaduna para ampliar as disparidades sociais presentes na atual conjuntura.
Concomitante a isso,a fome é um dos efeitos negativos provenientes dessa realidade desigual.No ateniente a isso,o cineasta,Glauber Rocha,em seu manifesto “Estética da fome”,salienta a submissão do ser humano a situações degradantes para a sua sobrevivência.Com efeito,mostrando a realidade brasileira através do cinema novo,ele constata que a fome pode fomentar outras mazelas sociais,como a violência,pois o instinto primitivo de sobrevivência do homem sobressai a moral social vigente.Diante do exposto,é notório que a fome,como uma forma de manifestação da desigualdade social,propicia outras perspectivas negativas que coadunam para aumentar a decrepitude moral da sociedade,prejudicando tanto o Estado,quanto seus constituintes.
Em suma,Cabe ao Governo Federal promover medidas que mitiguem esse cenário.Portanto,pode-se por meio de parcerias público-privadas captar recursos para erradicar a fome no Brasil.Nesse sentido,o Estado junto a empresas do agronegócio firmam acordos em que o setor público subsidia a agricultura e,em troca,essas instituições privadas fornecem alimentos a preço de produção,além de meios de distribuição para regiões marginalizadas,distantes dos centros e com altos índices de pobreza e fome,a fim de tornar o acesso aos alimentos menos desigual e assegurar os direitos previstos na DUDH.Diante disso,poder-se-á progredir positivamente nos índices de desigualdade social no Brasil.