Fome e desigualdade social no século XXI

Enviada em 04/07/2020

“Cidadão de Papel” é uma obra literária do jornalista Gilberto Dimenstein que analisa como os direitos básicos no Brasil não são garantidos, resultando na disparidade do tecido social existente. Depreende-se, dessa leitura, que a fome e a extrema pobreza são chagas abertas em nossa sociedade, consequências de uma construção histórico-social perversa e da ineficiência política. Tal como postos, a fome e a desigualdade social perfazem um grave problema que impede o desenvolvimento coletivo e elimina qualquer acesso a uma posição de dignidade.

Em primeiro lugar, cabe salientar, que tal condição é resultado direto da desigualdade social no Brasil, sétima nação mais desigual do mundo, de acordo com o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD). Ademais, perpetua-se uma estrutura de poder de uma classe dominante em detrimento de uma dominada, determinando, segundo Foucault, uma cadeia de exclusão. Dessa maneira, tal parcela é impedida do acesso à educação, à saúde e ao sistema produtivo, sendo assim, relegada à miséria. Consequência cruel de uma realidade em que para um ganhar o outro tem de perder.

Nessa perspectiva, por conseguinte, tem-se que a pobreza vem crescendo no Brasil desde 2015, alcançando 50 milhões de pessoas, cuja renda não passa dos R$ 300,00 mensais, ainda conforme o PNUD. De acordo com o Programa, o Brasil foi recolocado no Mapa Mundial da Fome, em parte devido aos crescentes cortes em programas assistenciais triviais adotados pelos governos de direcionamento liberal. O povo, no entanto, não deveria fazer parte do problema, mas sim, da solução e incluí-lo em uma agenda que paute educação, financiamento e produção é mais do que uma questão econômica, mas sobretudo, de justiça social.

É fundamental, portanto, para resolução dessa problemática, que haja um projeto de Estado, encabeçado pelos ministérios da Educação, da Economia e do Desenvolvimento Social, que vise à distribuição de renda à medida em que se qualifique o segmento mais desfavorecido. Dessa forma, envolvendo provisão financeira, de caráter emergencial e qualificação em boas escolas públicas, o projeto fomentaria a oportunidade de ascensão social por meio da educação e do acesso ao mercado de trabalho, de forma a conferir dignidade humana. E, acima de tudo, devolvendo o sentido verdadeiro de cidadão, não aquele de papel presente na obra de Dimenstein, mas aquele valoroso e pleno, almejado por todos.