Fome e desigualdade social no século XXI
Enviada em 04/07/2020
“O Brasil precisa ser governado por alguém que já passou fome, a fome também é professora.”. A máxima da poetisa brasileira Carolina de Jesus aponta, de acordo com sua vivência, a indiferença da sociedade frente a problemática relacionada a fome e a desigualdade social, que, hodiernamente, continua afligindo milhões de brasileiros, principalmente nas periferias dos grandes centros urbanos. Sendo esse um imbróglio que está diretamente relacionado à realidade do Brasil, seja pela negligência governamental, seja pela apatia social.
A princípio, é incontestável que a inoperância governamental esteja entre as causas do problema. Poucas são as políticas públicas de combate às causas raízes que levam à fome, executando sempre ações paliativas em detrimento das governanças preventivas. Nesse prisma, de acordo com o filósofo John Locke, configura-se uma violação do “contrato social”, já que o Estado não cumpre sua função constitucional de proporcionar o direito à vida e a igualdade para população. De certo, isso fica claro na pesquisa publicada pela Organização das Nações Unidas-ONU, em 2019, que fala que no Brasil mais de 5 milhões de pessoas passam fome, refletindo a ineficácia da gestão pública frente a esse problema. Outrossim, destaca-se a cultura da ignorância perpetuada por parte da população, que, muitas vezes, devido ao senso comum, não entende os malefícios relacionados a falta de distribuição de renda que está diretamente ligada à fome no país. Isso é concordante com o pensamento de A. Schopenhauer de que os limites do campo da visão de uma pessoa determinam seu entendimento a respeito do mundo que a cerca. Tal fato pode ser observado na baixa pressão exercida pela sociedade por reformas políticas de distribuição de renda como a taxação de grandes fortunas e a ancestral reforma agrária, mostrando que a fome e a igualdade econômica estão em segundo plano nos anseios da população.
Diante desse cenário fica claro que a fome e a desigualdade social são resultado da ingerência governamental aliada à inércia social. Logo o Estado deve promover políticas públicas que ataquem as raízes da fome, por meio de reformas que busquem promover distribuição de renda taxando os ricos e repassando dinheiro para os pobres, a fim de reduzir o número de pessoas que passam fome no Brasil, sendo isso necessário para aumentar a igualdade social e econômica. Além disso, as instituições de ensino devem promover campanhas de conscientização para que a sociedade entenda os benefícios das práticas de distribuição de renda e passem a apoiá-las, para que, gradativamente, esse problema deixe de ser indiferente para a sociedade conforme o pensamento de Carolina de Jesus.