Fome e desigualdade social no século XXI

Enviada em 11/08/2020

Os povos nômades viviam em deslocamento constante, pela dependência de recursos naturais de determinada região, com isso eles iam à procura de uma região mais produtiva para acomodar-se novamente. Análogo a isso, a população brasileira, principalmente, as que moram em regiões periféricas e interiores buscam melhoria na condição de vida, seja nas capitais, seja em cidades próximas, objetivando ficar longe da fome e da miséria. Isso se dá, devido a desigualdades regionais causadas pela ausência de políticas públicas.

Em primeiro lugar, vale ressaltar as desigualdades enraizadas entre as regiões. A parafrasear Milton Santos, a globalização tornou-se as divisões econômicas cada vez mais excludentes, visto que os investimentos governamentais estão centrados em lugares no qual os lucros serão mais produtivos e aparentes, exemplificando o agronegócio por beneficiar com mais dinheiro, se sobrepõe em detrimento da agricultura familiar. Diante disso, com a desvalorização e exclusão desses grupos da sociedade, as condições de fome ficam cada vez mais alarmantes afetando a dignidade do indivíduo. Dessa forma, com o objetivo de suprir essa lacuna, há um fluxo migratório intenso para cidades mais próximas com a perspectiva de mudança de vida.

Sob esse viés, cabe ainda salientar a ineficiência de políticas públicas. Segundo a Constituição Federal, no artigo 5, prevê que todos são iguais perante a lei, porém, com a dificuldade de administração das políticas, esse marco constitucional não vem sendo reverberado na prática. Logo, percebe-se com os desvios de verbas que deveriam ser utilizadas para melhoria na qualidade de vida, não há preparo para o período de seca, pois o indivíduo que vive na miséria não consegue garantir por conta própria a sua sobrevivência, dependendo exclusivamente de ações afirmativas. Assim, é notório que há disparidade de verbas destinadas entres as regiões e crescimento do abandono de interiores em virtude da fome e da miséria.

Em suma, medidas são necessárias para minimizar a fuga da fome e da miséria em regiões periféricas. Portanto, cabe à Receita Federal, em parceria com as ONG’s criar um programa denominado “Auxílio Agricultura” de distribuição de renda, isso ocorrerá com doações do setor privado, em troca de incentivos fiscais, formando um ciclo virtuoso de cooperação e entendimento entre os setores, com a finalidade de diminuir as migrações inter-regionais e valorizar a agricultura familiar. Dessa forma, não haverá necessidade de buscar sustento em outros lugares.